Quantas
mães de 2º, 3º, 4º viagem ouviram: “Vais ser mãe novamente?” ou “Estás grávida
novamente?”
Hoje
em dia, estar grávida mais do que uma vez parece a coisa mais espantosa do
mundo.
Infelizmente,
a taxa de natalidade do nosso país está tão pequenina, que ter mais do que um
filho é sair da média.
A
situação económica do nosso país condiciona imenso, em muitos casos, o
nascimento de mais do que um filho, por casal.
Concordo
que seja perfeitamente normal esperarmos por melhores condições de vida, que
desejemos dar boas condições ao nosso filho único.
No
entanto, nos últimos anos, a vida tem-me mostrado um lado diferente: a
realidade.
Em
Portugal, esperar que as coisas estabilizem é ficção! Em Portugal, esperar por
ter um emprego estável não existe.
Pronto,
pronto… Existe. Pelo menos, para quem tem um conhecimento aqui ou ali, ou é
filho de pais influentes. Não é o meu caso, e sei que não será o caso de muitos,
também.
Para
mim, chegar aos 30 anos sem ter a parte mais importante da minha vida
estabilizada seria sentir-me incompetente, neste mundo onde o mais importante é
a família que nós próprios construímos.
Por
isso, apesar de todos os medos, de todas as dúvidas, de todas as incertezas,
decidimos que estaria na hora de nos aventurarmos num desafio maior. Decidimos
deixar de pensar só em nós e deixar o Gabriel experienciar o que é ter um
irmão, um companheiro.
São
muitos os pais que querem dar tudo ao 1º filho, e por isso, não têm mais
filhos. São muitos os pais que têm medo que falte alguma coisa ao 1º filho e,
por isso, não decidem ter outro.
Mas,
pais e mães, o que é dar tudo? Compreendo que os nossos conceitos de ser pai e
mãe têm mudado bastante com o tempo. Mas, também acho que dar tudo aos nossos
filhos é, em primeiro lugar, dar-lhes ferramentas para que eles próprios possam
obter tudo o que desejam na vida.
Não tens medo que falte alguma
coisa ao teu filho?
Tenho! Mas, quero ensiná-lo que, mesmo não tendo “tudo”, terá sempre o mais
importante: os pais do seu lado, e em breve, um companheiro.
Não tens medo do futuro do teu
filho? Tenho!
Mas, quero libertar-me da possessão e permitir que ele próprio, a seu tempo,
descubra o lugar que mais o realiza.
Não tens medo que não possas dar
ao 2º filho o que deste ao 1º?
Tenho! Claro que tenho. Mas, uma coisa sei que este terá que o 1º não teve: um
irmão. E isso, por si só, já vale muito.
“Ser
mãe novamente” não existe. Quando nos tornamos mães pela primeira vez, seremos
mães para sempre. Não importa quantos filhos tenhamos, o amor nunca será menor
de um para outro. Não importa quantos filhos tenhamos, a alegria de o ver
crescer em cada etapa da vida será igual.
O
trabalho termina, o dinheiro acaba, e o que fica? Um vazio.
O
trabalho muda, o dinheiro diminui, e o que fica? Um desejo perdido no tempo.
Quando
pensamos “A vida pode mudar”, não pensemos que ela “pode mudar para pior”, que “o
que temos hoje pode fazer falta amanhã”. Invertamos o pensamento, e pensemos de
uma forma mais positiva: “A vida pode mudar”. Aliás, a vida vai mudar, sim. “Amanhã
terei mais do que tenho hoje”, “o que tenho hoje não fará falta amanhã, porque
as coisas irão melhorar.”
Por
isso… Não tenham medo. O amor multiplica-se, o carinho também. Essas coisas não
diminuirão, nunca!
Mães
e pais… Não estou a dizer que discordo convosco. Nada disso.
Mas,
se estão indecisos entre ter ou não mais um filho, repensem. Coloquem na
balança todos os valores da vida, e todos os valores que pretendeis para os
vossos filhos, no futuro. Amor? Partilha? Cooperação? Entendimento? Ou só
dinheiro?
Sejam
firmes com os vossos sonhos e objetivos de vida. Afinal, há poucas coisas que
dependem apenas de nós.
E
lembrem-se: só se vive uma vez…