Há dias em que me sinto fraca, cansada,
desanimada. Há dias em que receio não ser capaz de dar conta do recado. Há aqueles
dias em que a energia não acorda comigo e tento arrastar o dia o mais que
posso, com um desejo enorme que a noite chegue depressa.
Há dias em que olho para a casa e só me apetece
fugir. E nos bocadinhos de sono da pequena, a vontade de fazer o que quer que
seja para reverter a situação, não é nenhuma. E o caos, aos poucos, parece
querer instalar-se.
E nesses dias, a vontade de chorar é
imensa. Mas nem sempre choro. Com a pequena ao colo e um olho no mais velho,
fico ali, parada e serena, como se nada se passasse. Mas há um reboliço de
emoções dentro de mim, que só quem vive o mesmo sabe que sim.
Mas há os outros dias, e mesmo que
depois de uma noite de choro, de insónias ou de tristeza, eu acordo disposta a
vencer o mundo. Há estes dias em que me sinto capaz de assegurar tudo e de cumprir,
para além de todas as tarefas, todos os meus sonhos. E por isso, tento mil
vezes fazer algo mais produtivo que no dia anterior. E por isso, acredito que melhores
dias virão. E por isso, acredito que apesar da azáfama e do trabalho intenso, conseguirei.
Nestes dias, em que acordo disposta a
conquistar o mundo, e nos outros também, há algo que tento ter em mente: não
perder o foco daquilo que me fez querer tudo o que tenho. E nunca o perdi. Há algo
que tento nunca esquecer, que todas estas manifestações de humor, de adrenalina
se devem a um conjunto de situações que fazem parte de qualquer pós parto. E por
isso, sinto-me uma pessoa completamente normal e tento gozar cada um dos
estados e sentimentos da melhor forma. E assim, sinto-me mais consciente de que
é apenas uma fase, e que em breve a rotina ganhará uma forma mais estável (como
se a estabilidade existisse quando se tem crianças pequenas) e tudo cá em casa
ficará mais simples e mecanizado. É este o foco que me ajuda a suportar todos
os medos e dúvidas. Mas no meio de tudo, sou feliz assim. Sou feliz por ter o
coração cheio, os braços nunca vazios, o pensamento perdido entre fraldas e
livros escolares. Sou feliz por poder utilizar o plural da palavra “filho”, e mais
feliz ainda por presenciar a construção de uma ligação que se fortalece entre
ele e ela.