quarta-feira, janeiro 10

SER MÃE É UMA MISSÃO COLOSSAL, MAS UM QUANTO BIPOLAR!

Ser mãe é uma missão colossal. Precisamos orientar, ensinar, apoiar e criticar, sempre da forma mais simpática e assertiva possível. Precisamos transmitir valores num mundo que cada vez menos os possui. No fundo, somos obrigadas a ter atitudes tão contrastantes, que não admira que os nossos filhos, por vezes, fiquem confusos.
Logo a começar o dia, temos que ensinar a cumprir horários, ao mesmo tempo que reclamamos deles. Temos que ensinar a apreciar o tempo, faça sol ou faça chuva, mesmo quando reclamamos com o nevoeiro que nos impede de ver um palmo à frente da cara. Precisamos ensinar que não precisamos de bens materiais para sermos felizes, mas somos obrigadas a permitir que os nossos filhos levem brinquedos para a escola, para que se sintam mais felizes no recreio. Temos que ensinar a partilhar, mesmo quando dizemos “só levas o carrinho se o voltares a trazer”. Temos que ensinar a abraçar, mesmo depois de avisarmos “não te encostes à cabeça dos teus amigos”. Temos que ensinar a partilhar, mas não gostamos que dividem o lanche. Temos que ensinar a estar em silêncio, mas obrigamos a partilhar todo o seu dia. Temos que ensinar que a escola é importante, mesmo depois de reclamarmos com a segunda-feira. Temos que ensinar que devemos ser amigos de todos, mas não gostamos quando eles andam com aquele menino que tem má fama. E, precisamos muitas vezes, de inventar histórias, acontecimentos, relatos na primeira pessoa, mesmo ensinando que é feio mentir, exagerar nos factos ou fazer-nos de vítimas. Ensinamos a saber perdoar, mas passamos a vida a dizer “não brinques com aquele, porque chamou-te nomes”.
Temos que ensinar o valor da amizade e ensinar que aquele menino que lhe bateu não é bom amigo. Temos que ensinar a cumprir horários, mas explicar que precisamos relaxar. Temos que ensinar a estudar, mas demonstrar que estudar não é tudo na vida. Temos que criar uma rotina, mas explicar que fugir dela é necessário.
Ensinamos que fazer desporto é importante e até reclamamos quando nos pedem uma justificação para naquele dia não fazer educação física, mas nunca conseguimos cumprir um plano semanal de treino. Ensinamos que a alimentação saudável é imprescindível para a nossa saúde, mas utilizamos frases como “apetecia-me mesmo um chocolate”, “uma francesinha é que ia bem”. Ensinamos a ter empatia, mas reclamamos com o vizinho porque não compreendemos nada do que ele faz. Ensinamos a ser inclusivos, mas reclamamos com a escola por existirem crianças com necessidades especiais na sua turma. Ensinamos a ser arrumados, mas a nossa casa não está sempre perfeita. Ensinamos, exigimos, explicamos. Por vezes, falamos demais. Por vezes, exigimos demais deles por não sermos capazes de cumprir tudo sozinhos. Por vezes, queremos moldar um ser pequenino à nossa imagem e semelhança, mas esquecemos que as nossas atitudes devem ser, em primeiro lugar, coerentes, constantes e felizes.
Ser mãe é realmente uma tarefa incrível. E, esta mistura de comportamentos começa logo no momento da descoberta da gravidez, quando somos capazes de ficar ansiosas, com receio, mas ao mesmo tempo, transbordar felicidade.

Ser mãe é maravilhoso. Não há mães perfeitas, não há filhos perfeitos. Não há mães absolutamente invencíveis, nem há filhos sem falhas. Por isso, vamos apoiar-nos umas às outras, sem censuras, sem inveja, sem presunção.

terça-feira, janeiro 9

O Gabriel sabe olhar pela Estrela? [Diário do Gabi]

Um dos comentários que mais nos fazem quando partilhamos o nosso dia a dia com os dois meninos é "o Gabriel dá uma ajuda com a Estrela, já sabe olhar por ela".

Será?!
Estes dias aconteceu a situação mais caricata dos últimos tempos.
Já há bastante tempo tinha percebido (e observado) que o Gabriel cantarolava para a Estrela sempre que queria brincar com as suas coisas e deixá-la no cantinho dela, sem o atrapalhar.

No outro dia, pedi-lhe para empurrar o carrinho da Estrela pelo corredor, para brincarem os dois, enquanto eu colocava um creme no rosto. Uma coisa simples e rápida. Entretanto, nunca mais o vejo regressar para o outro lado do corredor e começo a ouvi-lo cantarolar para ela.
Fiquei à escuta e ele continuava a cantarolar... Não me lembro a música, mas era uma das musiquinhas que lhe costumamos cantar.
Nisto, vou até ao quarto dele, atrás da musiquinha, e vejo-o encostado à sua cama, de costas para a porta e a Estrela, na passagem entre a porta e a cama, sozinha no seu carrinho, a não fazer nada, literalmente. 
Puxei-a devagarinho para junto da porta e ele não deu por ela. Continuou a cantarolar com a mesma intensidade e concentrado nas suas coisas.
Para perceber até que ponto ele reagia, fui empurrando o carrinho até à sala.
Passados uns minutos, fui ao quarto e pergunto-lhe pela Estrela... E ele "Ela estava aqui...", com aquela sensação de que "aconteceu alguma coisa e nem dei conta".



Enfim... A situação teve tanta piada que não consegui parar de rir.
Uma situação preocupante, mas quem manda colocar uma criança a olhar por outra?

segunda-feira, janeiro 8

Agradecer ao invés de reclamar

Obrigada...
Por cá, são muitas as noites mal dormidas. A princesa cá de casa vira um sapinho durante a noite. Por vezes, o cansaço acumulado dá azos a pessimismos e reclamações. Mas, ontem tirei uns minutos para refletir e agradeci a Deus, à vida, à sorte. Depois de colocar a pequena para dormir, para não variar muito, passados uns 10 minutos (se tanto) já estava ela a chorar e eu lá fui. Volto a adormece-la e nisto, como uma vez é pouco, volta a chorar e eu volto a ir lá…
Neste impasse de tempo e apesar da enorme vontade que ela adormecesse à primeira, chego ao quarto, pego nela ao colo, dando-lhe aquele abraço enorme e carinhoso. Olho para ela, e agradeço a Deus por estar ali, com ela nos meus braços.
Agradeço e repenso o tempo em que o Gabriel facilmente cabia nos meus braços. Relembro o tempo em que o Gabriel precisava de um aconchego para dormir… O tempo passa rápido demais para desperdiçar este abraço, este colinho. Daqui a um ano já não precisará deste aconchego. Ou, a precisar, não terei eu costas capazes de lhe dar colinho. Não que agora tenha, mas à medida que ela crescer, será cada vez pior. Por isso, ontem não reclamei uma única vez. Agradeci. Abracei-a com toda a força que pude e desfrutei daquele momento cansativo, mas acima de tudo, carinhoso.

Sempre que aceitamos as situações, tudo parece tornar-se mais fácil. Esta noite foi tão curta, mas tão boa. Quero lembrar-me sempre disto, e agradecer de cada vez que ela chorar, ao invés de “reclamar”. Não tenho filhos que dormem? Não, não tenho. Mas, entre todos os defeitos que seja este o dilema com o qual tenho que lidar. Agradecerei de todas as vezes que tiver que lhe dar um colinho. Afinal, é tão, mas tão bom…


Boa Semana!

Fonte