domingo, outubro 21

A vida é uma estrada sem retorno

A vida é uma estrada sem retorno. Quem vai, deixa para trás pessoas, sonhos e bens. De nada nos vale colecionar bens, porque os únicos que sentirão a nossa falta são as pessoas.
O mundo precisa de pessoas mais humanas, sinceras, humildes, capazes de dar sem interesse, capazes de apoiar com firmeza. O mundo precisa de pessoas que alimentem pessoas, não bens. O mundo precisa de pessoas que deixem história na vida das pessoas, e não catedrais ou monumentos de si mesmas. O mundo precisa de pessoas que queiram ser apenas isso - pessoas.
A estrada da vida é de todos. Até um dia. Até ao dia em que deixamos tudo para trás.
O mais importante de tudo é colecionar momentos, acarinhar as pessoas especiais, ignorar o que não nos faz falta. O mais importante nesta jornada é o mais simples.




quinta-feira, outubro 18

ABDICAR DE TUDO PARA CUIDAR DOS FILHOS É COISA DE HERÓI


Há quem diga que ficar em casa e cuidar dos filhos é coisa fácil. Há quem considere que optar por ficar em casa com os filhos, 24 horas por dia, 7 dias por semana é uma tarefa que não requer trabalho, nem mestria, nem jogo de cintura. “Fazes os teus horários”, “fazes as coisas quando queres”, “tens o dia por tua conta” são apenas algumas das expressões que vulgarmente se escutam por aí.
Abdicar de tudo para cuidar dos filhos é algo completamente diferente disto. Ainda há muita gente que o julga, critica, diminui.
Depois de viver na pele o que isso é, sei exatamente o valor que isso tem. Abdicar de tudo para cuidar dos filhos é algo apenas para os mais fortes.
Senão, respondamos a algumas questões: Quanto tempo te sujeitarias a abdicar da tua profissão?
Por quanto tempo aguentarias cingir os teus horários aos dos teus filhos? E, quando digo horários, digo horários para tudo, até para as necessidades mais básicas como comer, tomar banho ou até ir ao wc descansado.
Por quanto tempo aguentarias passar os dias a viver para um ser que não tem crítica sobre o que está a acontecer, que quer desafiar-te, que quer testar os seus e os teus limites?
Por quanto tempo aguentarias deixar os teus desejos de lado para satisfazeres os desejos do teu filho, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem interrupção?
E, para além disto (e muito mais haveria a acrescentar), por quanto tempo aguentarias assegurar a sua segurança no meio de tudo isto, e ainda assim, ser capaz de cumprir uma rotina de cuidados da casa, que incluem as refeições de um bebé (ou mais) e as dos restantes elementos da tua família? E, ao mesmo tempo, assegurar a casa limpa, roupa engomada? E, ainda assim, seres capaz de estar sempre fresco e fofo que nem um jovem, sem este tipo de responsabilidades?
Pois bem… Abdicar de tudo para cuidar dos filhos não é algo que se faça assim, de forma tão simples e leviana.
Para além das necessidades, existem as vontades e imprevistos que qualquer rotina com um bebé (ou mais) pode implicar.
Poderia escrever muito mais, mas acho que são mais que muitos os motivos que descrevi. Espero que sirvam para ajudar alguém a alterar o seu discurso da próxima vez que tentar diminuir o trabalho das mães que se dedicam de corpo e alma, com toda a força, conhecimento e energia, a cuidar dos seus filhos, da casa e de todos os que nela vivem.
Abdicar de tudo o resto para cuidar dos filhos é mais do que um gesto de coragem. É um ato de super herói.
A todas as mães (ou pais) que decidem ficar em casa a cuidar dos próprios filhos, PARABÉNS! Não existe nada maior do que o investimento que fazemos pelos nossos próprios filhos.



Bom dia!

Que este dia seja iluminado ;)


quarta-feira, outubro 17

Tu já foste pequenino e já coubeste no meu colo...


É verdade, tu já foste pequenino e já segurei em ti ao colo. E, mesmo abraçadinhos, ainda conseguia olhar por cima da tua cabeça, ver o que se passava.
Tu já foste pequenino, e eu conseguia segurar-te no meu colo, tanto tempo quanto o desejássemos. O calor daquele abraço, o olhar e umas simples brincadeiras com a voz eram o suficiente para que ali ficássemos, agarradinhos, sem contar o tempo.
Tu já foste assim, tão pequenino, que o meu colo chegava para te agarrar, e tu encolhias ainda mais e eu abraçava-te da cabeça aos pés, como se abraçam os peluches, aqueles que mais gostamos.
Tu já foste assim, pequenino. E já consegui segurar em ti ao colo. Agora não consigo mais, pelo menos daquele jeito. Estás crescido. Muito crescido! Claro que ainda cabes no meu colo. Caberás sempre. E nele, haverá sempre lugar para ti. Nunca duvides disso. Mas agora segurar-te ao colo implica perder a visão do que está à tua frente.
Como estás crescido, Gabriel. O meu colo será eternamente teu (e da mana). Tu foste o primeiro a ocupar o espaço que nos transmite a maior segurança do mundo. Podes regressar em qualquer fase de incerteza, podes trazer todos os medo do mundo, que eu ficarei sempre disponível para te aconchegar. Acredito que este colo, um dia, seja substituído por um abraço, por um ombro amigo... Mas não deixará de estar ali um colo disponível.
Lembraste quando eras pequenino e encostavas a tua mão ao meu peito e dizias: “Já chego por aqui!”, todo orgulhoso de estares quase da minha altura, quando no fundo, a tua mão é que fazia batota porque levantas o braço o mais alto que podias? Lembraste? Afinal… Esse dia chegou! Sem batota. Sem bicos de pés. Tu estás tão grande Gabriel! E não tardará a chegares à minha altura. E, talvez aí, seja eu a dizer “olha, agora sou eu que já só chego por aqui…”