terça-feira, abril 2

Dia Mundial da consciencialização do autismo

Hoje é o dia mundial da consciencialização do autismo. Confesso que esta é uma das condições com as quais mais gosto de trabalhar. Infelizmente, em Portugal ainda estamos muito aquém do que seria necessário fazer. Existem ainda tantos mitos que precisam ser desconstruídos e tanta informação que ainda precisa "chegar a tempo" às famílias que lidam com ele. Só para terem uma ideia, em Portugal costumam diagnosticar o autismo por volta dos 3 anos ou mais. Em outros países já se verificam diagnósticos por volta dos 18 meses. Claro que tudo isto é debatido, mas um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no bem estar e autonomia destas pessoas. O autismo não é uma doença. As crianças com autismo não precisam (sempre e apenas) de medicação, mas em primeiro lugar de compreensão. É necessário olhar para elas com um olhar de quem compreende que as suas necessidades são ligeiramente diferentes das nossas, que a forma como interpretam os estímulos e reagem com o mundo à sua volta é diferente. Não é uma forma errada, mas apenas a forma como o sabem fazer.

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"Tu deste-me uma irmã para brincar" [Diário do Gabi]

Ele diz "Estrela, vamos..." e ela já lá está. Ele sugere e ela aceita. Ele pede e ela dá. Ele é o herói dela, o irmão que sabe tudo, a faz rir, a ensina a brincar com tantas coisas. Estes dias, o Gabi queria brincar mais à hora de deitar. E eu disse-lhe "não é para brincar agora, agora é hora de dormir". Ele responde prontamente "Mas tu deste-me uma irmã para brincar" Eu derreti e disse-lhe "é verdade mas brincam mais amanhã"

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segunda-feira, abril 1

Hoje tirei sonhos da gaveta. E custou-me tanto…


Durante todos estes anos (os 10 que já partilhei convosco, ou resumidamente, desde que fui mãe), tenho guardado todos os meus sonhos e alguns projetos, na gaveta… Por entre várias tentativas de arranque, a verdade é que pouco saíram do papel. Literalmente, estavam mesmo guardados na gaveta (e em algumas caixas, vá). De há uns tempos para cá, - talvez desde que percebi que o sonho de um trabalho estável, que me satisfaça profissionalmente, não existe em Portugal - esses sonhos foram adquirido forma, lentamente.
Hoje foi um dia especial. Estive a remexer em todas as coisas que tenho guardadas, e só posso dizer que dói demais. É como mexer numa ferida aberta, que nunca cicatrizou, mas que também nunca levou pontos. Custa pensar que são tantos os sonhos que continuam guardados… Quem me conhece de verdade sabe como sou. Exigente, delicada, dedicada e apaixonada por tudo aquilo que faço. Gosto de fazer as coisas de forma correta e consciente. Não gosto do show off que se cria por algo que não existe. Gosto de construir os alicerces bem assentes no chão, nos meus princípios e valores. Não consigo concretizar sem antes planear.
Mas, mesmo com tantos projetos, tenho vivido em segundo plano. A maternidade levou-me para um patamar que não é só meu.

Tenho trabalhado em trabalhos temporários que, mais tarde ou mais cedo, acabam por terminar. E, sempre que terminam, a minha deceção para com o mundo do trabalho aumenta. Ao mesmo tempo, a minha vontade de lutar pelos meus sonhos, também. Nunca imaginei estar numa situação profissional tão instável aos 32 anos. Nunca defini planos no tempo, mas acho que tinha em mente até aos 30 ter estabilidade profissional, num emprego que talvez pudesse ser para a vida. Inconscientemente, talvez sonhasse realizar novos sonhos, a partir daí, em família. A verdade é que as coisas não têm sido tão simples nem favoráveis.
Sei que existem tantas outras pessoas na mesma situação. E, talvez por isso, apenas por isso, partilhe convosco este texto tão pessoal. Não gosto muito de falar sobre as minhas coisas de forma tão pormenorizada. Ainda existem pessoas más e sem empatia a circular por aí. Mas, se neste momento tenho que me decidir quanto ao futuro destes sonhos, a verdade é que há algum tempo decidi não mais calar, e por isso, cá estou a deitar cá para fora, esta realidade que de nada me orgulha.
Neste momento, tenho uma decisão a tomar. Para além de todas as outras que implicam diretamente a minha família, sei que eu preciso dar uma resposta a estas dúvidas, a estes sonhos. Avançar ou abandonar?
Estes dias, alguém muito especial, com muita experiência de vida, disse-me: “não desista dos seus sonhos. Eu estive 15 anos para iniciar os meus.”
Tenho abdicado de tanta coisa pelos filhos, tal como essa pessoa. Eles só são crianças uma vez. E, um dia, não irão depender mais de mim. Sei que construir algo que me satisfaça faz falta e sentido. Mas, ao mesmo tempo, quero ser uma mãe sempre presente. Queria lutar por algo, sem deixar para segundo plano aquilo que é a minha prioridade. Por isso, neste momento, estou numa fase de repensar. Repensar sobre o que faço com tudo isto. Se tenho coragem para desistir ou se ganho coragem para avançar. Nunca desisti de nada, nem nunca avancei sem coragem…
E vocês? Já desistiram de algum sonho? Ou arriscaram em algum? Como correu?



É isto o que me move.

É isto o que me move. Eles são o meu combustível, o meu porto de abrigo, o motivo da minha felicidade e da minha força. Quando a vontade é baixar os braços, parar ou deixar de lutar, ao olhar para eles, tudo ganha força. Por eles, sou capaz de lutar para superar os meus maiores medos, por quebrar os meus maiores preconceitos, por esquecer as minhas dores, por colocar de lado os meus sonhos para lutar pelos deles. Por muito que as vezes me sinta fracassada, que sinta que nada está como gostaria, que não consigo fazer nada, nada se compara nunca ao que considero ser o meu maior sucesso. Estes meninos lindos e adoráveis são a maior preciosidade da minha vida. Nunca os sonhei assim, mas são o meu maior sonho tornado real. ❤️❤️❤️❤️
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