quarta-feira, janeiro 17

Ciclo de pensamento durante a amamentação

Amamentar é um processo maravilhoso. Não há dúvidas. Mas, é igualmente um processo atribulado. Um processo de muito amor, com alguns altos e baixos. Tentei resumir as diferentes fases pelas quais passamos no 1º ano de amamentação, colocando alguns pensamentos que poderiam caraterizar cada etapa, mês a mês.
Se amamentaram ou ainda amamentam, digam-me se também sentem algo parecido (ou se sou a única a passar por todas estas fases).

Antes do nascimento:
"Muito medo, muitas dúvidas, muitas incertezas, mas um enorme desejo de que seja perfeito!"

Duas primeiras semanas:
“Bolas, afinal isto dói que se farta!”

Entre o primeiro e o segundo mês
“Ufa! Que sorte! Escapei às malditas mastites” (ou não)

Terceiro mês:
“Os picos de crescimento realmente existem. O bebé só quer mama. As pessoas estão sempre a dizer que o bebé vai ficar viciado…! Será que estou a errar?”

Quarto mês:
“Mais um pico de crescimento e não aguento… Será que o meu leite é suficiente? Parece que piorou. Agora já nem dorme duas horas seguidas…”

Quinto mês
“Ok, isto há-de passar. Foco, foco, é só uma fase, é só uma fase. Rumo aos 6 meses de amamentação exclusiva”

Sexto mês:
Parabéns a nós! Conseguimos! E agora, oh que chatice… Vai começar a ficar autónomo… Já pode iniciar a alimentação complementar. Queria tanto continuar a dar maminha a toda a hora….

Sétimo mês:
“Mas que raio?! O bebé não quer comer? Continua a querer ir à mama a todas as refeições!”

Oitavo mês
“Paciência! Se quer mama, que mame tudo o que quiser…”

Nono mês:
“Estou tão cansada! Será que precisa assim tanto de mamar? Será que estou a dar mama em demasia? As pessoas aconselham a retirar a mama de noite para ver se começa a dormir melhor…”

Décimo mês:
“Que orgulho! Estamos quase no 1º ano de mama! UAU! Afinal, conseguimos! Afinal, o leite é mesmo poderoso! Que se lixem as noites mal dormidas.”

Décimo primeiro mês
“Será melhor parar ao 1º ano? Com tanto cansaço, será que aguentamos mais um ano assim? Como é possível que algumas mães aguentem tanto? Estou tão cansada….”

Décimo segundo mês!
“UAU! Metade do percurso está feito! Já levei umas dentadas, uns olhares reprovadores. Mas, querem saber? O bebé é meu e não será bebé para sempre! Vamos aproveitar tudo o que conseguirmos!”

E depois, imagino eu, as dúvidas desaparecem (ou quase), a segurança em relação à amamentação aumenta… E a interação e vínculo serão cada vez maiores.

Apesar do cansado, das dúvidas, das opiniões alheias, não abdicaria deste percurso por nada deste mundo.
Parabéns a todas as mamãs que dão-se ao direito de utilizar os atributos que a natureza nos deixou…

Por aqui, completamos o 1º aniversário de muita amamentação na passada Sexta-feira. Não poderia estar mais feliz e realizada. Foram muitas as coisas que deram errado no último ano, mas pelo menos este grande objetivo deu certo. Talvez o único que não teria oportunidade de recuperar. Força mamãs! Força, foco e persistência. O caminho nem sempre é fácil, mas não se esqueçam, é apenas uma fase…


segunda-feira, janeiro 15

Há um ano atrás...

O post de hoje retrata algumas das ideias que recordo de há um ano atrás. Foram escritas de forma aleatória, sem grande reflexão. Mas, partilho aqui, por achar curioso "pensar o que pensávamos". Já pararam para pensar o que tinham no pensamento há um ano atrás? Por vezes, fazemos planos, criamos expetativas e a vida leva-nos por caminhos completamente diferentes do previsto. O que fazer nessas situações? Como lidam com essas alterações?
Por aqui, tento sempre tirar as melhores lições em cada desvio que a vida nos impõe. Cada cruzamento, cada atalho, cada mudança de planos contribuem para o nosso crescimento enquanto pessoa, em todas as suas dimensões.
Há um ano atrás, imaginei muitas coisas diferentes, coisas que não se tornaram reais. Mas, em vez de desesperar, quero acreditar que tudo isso me trouxe outras coisas, e as melhores, ficarão guardadas em mim...

Há um ano atrás, não sabia o que era ter dois filhos. Há um ano atrás não fazia ideia do quão realizada me sentiria hoje, ao escrever este texto. Há um ano atrás, não fazia ideia da quantidade de coisas pelas quais teria que passar. Há um ano atrás, não fazia ideia de como seria ter em casa duas crianças com idades tão diferentes. Há um ano atrás, não fazia ideia da capacidade que temos de nos reorganizar e da rapidez com que somos capazes de desempenhar algumas tarefas. Há um ano atrás, não fazia ideia que iria passar por aquelas coisas que os pais de dois filhos passam. Há um ano atrás, não fazia ideia destas e de outras coisas, porque a minha atenção estava focada no nascimento da Estrelinha. Há um ano atrás, a ansiedade andava ao rubro. O desejo de que a nossa bebé nascesse era demasiado elevado para ter capacidade de prever e equacionar situações reais.
Imaginava algumas dificuldades e desafios com os quais teríamos que lidar. Julguei-os temporários. Julguei-os mais fáceis de ultrapassar. Desejei uma bebé que comesse e dormisse bem, ao contrário do irmão. Desejei ser super mulher, super mãe, super profissional após o seu nascimento. Há um ano atrás, não fazia ideia de como seria difícil ser super tudo, face a tantos desafios que o continuar de 2017 nos reservou.
Há um ano atrás desejava ter um ano fantástico pela frente. Há um ano atrás imaginei um ano simples, cheio de bons momentos.
Há um ano atrás, não planeei muitas coisas que surgiram, mas aconteceram. E, por isso, há um ano atrás não sabia algumas coisas que hoje sei. Há um ano atrás não sabia qual o limite da felicidade e do desespero. Foi preciso apenas um ano para aprender, crescer, simplificar, valorizar, amar, sonhar. Foi preciso apenas um ano para abdicar de algumas coisas e focar no essencial.
E uma das minhas melhores partes passou por tudo isso comigo. E as outras, também.

Obrigada por todas as lições, por todo o amor partilhado, por todo o apoio. Obrigada por este ano tão desafiante, mas ao mesmo tempo cativante.

sexta-feira, janeiro 12

1º ANIVERSÁRIO DA ESTRELINHA

Hoje é um dia especial. Muito especial. Um dia importante. Um dia que será comemorado para sempre, como único.
Hoje, tu completas o teu primeiro aniversário.
Tu vieste para nos completar. Para nos trazer ainda mais felicidade, mais gargalhadas, mais momentos só nossos. Tu nasceste para preencher o que ainda nos faltava, para nos trazer mais cor, para dares mais ânimo ao Gabriel.
Tu vieste para nos provar que é preciso rever tudo aquilo que nos faz falta, para nos dar mais força para lutarmos por aquilo que acreditamos, para nos dar mais serenidade, mais tranquilidade. Tu nasceste para nos trazer mais agitação, mas ao mesmo tempo, mais capacidade.
Tu és uma bebé especial. E serás sempre. És a nossa Estrelinha, mas ao mesmo tempo, a Estrelinha de muita gente que te conhece, e que gosta de ti. Porque o teu sorriso cativa, a tua simpatia é contagiante. Tu és muito mais do que imaginei.
Durante este ano, são muitas as coisas que nos tens ensinado. Crescemos contigo da mesma forma que tu cresces connosco. Ainda só passou um ano, mas já foram tantos os desafios que enfrentamos juntas. Ainda só passou um ano, mas já foram tantos os dilemas com os quais tivemos que lidar. Foram muitos os desabafos e os sonhos alcançados.

Parabéns meu amor pequenino, pelo teu 1º aniversário.

Que seja sempre um dia muito feliz!
Estaremos aqui, firmes, fortes e unidos para o que der e vier.
Amamos-te infinitamente.



quarta-feira, janeiro 10

SER MÃE É UMA MISSÃO COLOSSAL, MAS UM QUANTO BIPOLAR!

Ser mãe é uma missão colossal. Precisamos orientar, ensinar, apoiar e criticar, sempre da forma mais simpática e assertiva possível. Precisamos transmitir valores num mundo que cada vez menos os possui. No fundo, somos obrigadas a ter atitudes tão contrastantes, que não admira que os nossos filhos, por vezes, fiquem confusos.
Logo a começar o dia, temos que ensinar a cumprir horários, ao mesmo tempo que reclamamos deles. Temos que ensinar a apreciar o tempo, faça sol ou faça chuva, mesmo quando reclamamos com o nevoeiro que nos impede de ver um palmo à frente da cara. Precisamos ensinar que não precisamos de bens materiais para sermos felizes, mas somos obrigadas a permitir que os nossos filhos levem brinquedos para a escola, para que se sintam mais felizes no recreio. Temos que ensinar a partilhar, mesmo quando dizemos “só levas o carrinho se o voltares a trazer”. Temos que ensinar a abraçar, mesmo depois de avisarmos “não te encostes à cabeça dos teus amigos”. Temos que ensinar a partilhar, mas não gostamos que dividem o lanche. Temos que ensinar a estar em silêncio, mas obrigamos a partilhar todo o seu dia. Temos que ensinar que a escola é importante, mesmo depois de reclamarmos com a segunda-feira. Temos que ensinar que devemos ser amigos de todos, mas não gostamos quando eles andam com aquele menino que tem má fama. E, precisamos muitas vezes, de inventar histórias, acontecimentos, relatos na primeira pessoa, mesmo ensinando que é feio mentir, exagerar nos factos ou fazer-nos de vítimas. Ensinamos a saber perdoar, mas passamos a vida a dizer “não brinques com aquele, porque chamou-te nomes”.
Temos que ensinar o valor da amizade e ensinar que aquele menino que lhe bateu não é bom amigo. Temos que ensinar a cumprir horários, mas explicar que precisamos relaxar. Temos que ensinar a estudar, mas demonstrar que estudar não é tudo na vida. Temos que criar uma rotina, mas explicar que fugir dela é necessário.
Ensinamos que fazer desporto é importante e até reclamamos quando nos pedem uma justificação para naquele dia não fazer educação física, mas nunca conseguimos cumprir um plano semanal de treino. Ensinamos que a alimentação saudável é imprescindível para a nossa saúde, mas utilizamos frases como “apetecia-me mesmo um chocolate”, “uma francesinha é que ia bem”. Ensinamos a ter empatia, mas reclamamos com o vizinho porque não compreendemos nada do que ele faz. Ensinamos a ser inclusivos, mas reclamamos com a escola por existirem crianças com necessidades especiais na sua turma. Ensinamos a ser arrumados, mas a nossa casa não está sempre perfeita. Ensinamos, exigimos, explicamos. Por vezes, falamos demais. Por vezes, exigimos demais deles por não sermos capazes de cumprir tudo sozinhos. Por vezes, queremos moldar um ser pequenino à nossa imagem e semelhança, mas esquecemos que as nossas atitudes devem ser, em primeiro lugar, coerentes, constantes e felizes.
Ser mãe é realmente uma tarefa incrível. E, esta mistura de comportamentos começa logo no momento da descoberta da gravidez, quando somos capazes de ficar ansiosas, com receio, mas ao mesmo tempo, transbordar felicidade.

Ser mãe é maravilhoso. Não há mães perfeitas, não há filhos perfeitos. Não há mães absolutamente invencíveis, nem há filhos sem falhas. Por isso, vamos apoiar-nos umas às outras, sem censuras, sem inveja, sem presunção.