quinta-feira, maio 19

Quem diria que foi há quase 13 anos atrás?

Falta exatamente 1 mês para o Gabriel completar 13 anos de vida.

Quem diria? Quem diria que já foi há quase 13 anos atrás!

19 de Junho é um dia especial. Por este motivo, esta altura do ano é sempre nostálgica para mim.


Todos os anos, conto os dias para festejar o seu aniversário. 

É impossível não pensar em nós mesmas quando pensamos nos filhos. O seu nascimento marca o fim de um ciclo e o começo de um ciclo sem fim. Eles mudam tudo. Eles mudam a nossa vida. Eles mudam parte do que somos. Eles mudam a nossa visão, eles acrescentam emoção à nossa vida e mostram-nos como é indescritível este amor incondicional e desmedido. Claro está que acrescentam ainda um q.b. de loucura, que nos permite manter acesa a chama da vida, que nos permite reerguer e manter a motivação para continuar a aprender sobre o mundo, sobre eles, sobre nós, todos os dias... Enfim... que nos permite continuar a querer saber mais sobre a vida.

Passaria aqui o resto da noite a descrever o quão importante é o nascimento de um filho. Mas, deixemos isso para outro serão. :)


O nascimento do Gabriel veio marcar uma parte muito importante da minha vida. Por isso, o dia do seu aniversário é, também, um bocadinho meu.

Eu sei que parece egoísmo dizer isto assim. Mas a verdade é que esta oportunidade de renascer com os filhos é incrível e é mesmo real. Não nos podemos esquecer dela.

Eles acrescentam valor à nossa vida, um propósito maior.

Para mim, o Gabriel veio trazer-me tudo isto e tanto mais.

Eu já entrei em modo de contdown.




quarta-feira, maio 18

Uma mala e uma pandemia

 Olá!

Hoje venho partilhar convosco uma das nossas memórias mais marcantes desde que mudamos no Reino Unido.



Esta foto representa uma parte importante da nossa vida.

Ano 2020. Recém chegados ao Reino Unido, com pouco mais do que malas de roupa e uma mala de brinquedos, aqui ficamos. Limitados a explorar e a recomeçar a nossa vida num novo mundo, numa nova realidade.

A pandemia e, por consequência, o lockdown (confinamento) mudou os nossos planos e ao invés de um espaço a longo prazo, fomos obrigados a viver como nómadas, mas sem a casa às costas, porque não tínhamos muita coisa connosco. Sem lugar fixo para ficar, fomos saltando de airbnb em airbnb, tentando "contruir" um bocadinho do nosso lar para que os meninos sentissem conforto a cada mudança. Nesta casa encontramos uma espécie de lar. Pelo menos, foi assim que o tentamos viver durante cerca de 3 meses, ainda que a cada semana houvesse a incerteza sobre se teríamos ou não que voltar a mudar.

Durante esse tempo, este foi o nosso espaço: o espaço que utilizávamos para brincar, e onde fazíamos tantas outras rotinas. O espaço onde demos asas à criatividade e onde transformamos uma simples mala num mundo encantado de fantasia e imaginação.

Fizemos de tudo um pouco. Talvez os meninos não se recordem de tudo, mas eu sei que este espaço terá para sempre um lugar especial no seu coração. E no meu, também.



terça-feira, maio 17

Foge, meu(minha) filho(a)… Se um dia…

Um dia, minha filha… Foge… Se alguém te disser que estás bonita sem antes te perguntar “como te sentes?”

Um dia, meu filho… Foge… Se alguém te perguntar onde trabalhas sem antes te perguntar se és feliz no que fazes.

Um dia, minha filha… Foge… Se alguém te disser que estás elegante, sem antes te perguntar se no meio da correria te conseguiste alimentar.

 

Foge, meu filho, se um dia te disserem que és forte, sem antes te perguntarem quanto custou para lá chegar.

Foge, minha filha, se um dia te convidarem para ficar, sem antes te perguntarem se preferias sair.

Um dia, meu filho… Foge… se te disserem que és um homem de sucesso, sem antes te perguntarem se sentes realizado com o que tens conseguido alcançar.

Um dia, minha filha… Foge… Se te disserem que és especial mas ignorarem o que te fazem sentir.

 

Foge, meu filho, se um dia te convidarem para beber álcool e criticarem se rejeitares.

Foge, minha filha, se um dia te perguntarem quando pensas ter filhos, sem antes te perguntarem se desejas ser mãe.

Foge, meu filho, se um dia te disserem que podes ter muitas namoradas, sem antes perguntarem o que é para ti a lealdade.

Foge, minha filha, se um dia elogiarem o que dás, sem perguntarem se há algo que gostarias de receber.

Um dia, meus filhos… Fujam… se as pessoas vos julgarem, seja através de elogios ou depreciações, sem quererem saber o que significa cada uma dessas coisas para vocês, afinal.




segunda-feira, maio 16

Andei a enganar-me, não só a mim, mas a eles também...

Tenho algo a confessar: tenho andado a enganar-me. Nunca tinha entendido isso desta forma. Foram anos e anos no mesmo registo. Mas a verdade é que eu andei a enganar-me. E só percebi isso finalmente, porque pude ver através dos meus filhos que não andei a enganar-me apenas a mim. Enganei-os a eles, também.

Ser mãe e ter a responsabilidade de ser o exemplo tem muito que se lhe diga...

Quando nascemos como mãe, nasce connosco uma culpa maior do que o mundo. Nasce um ser que quer transcender-se para ser capaz de tudo.

Ser mãe tornou-me capaz de superar o mundo. Tornou-me capaz de fazer tudo e mais alguma coisa pelos meus, e pelos outros, também. Um dia após o outro. Anos e anos a fio. Tornou-me capaz de viver para assumir papéis, para dar tudo o que tenho e o que não tenho aos outros. Tornou-me capaz de carregar a responsabilidade, a culpa, e todos os tipos de carga às costas, sem julgar.  Tornou-me capaz de colocar-me em último lugar. E pior, tornou-me capaz de aguentar como se isso fosse responsabilidade minha.

Mas... a verdade é que, à medida que os meus filhos crescem, eu cresço também. E com esse crescimento fui percebendo, aqui e ali, que não tem nem pode ser assim.

Não ando a enganar-me apenas a mim. Ando a enganá-los a eles, também. Mostrando-lhes o modelo errado. Mostrando-lhes que podemos abdicar de nós para a vida toda. E isso não é verdade.

Conseguimos e podemos, se quisermos, abdicar de nós mesmos em prol de sonhos, objetivos, pessoas, e tantas outras coisas mais, por algum tempo, por um tempo determinado. Talvez o consigamos fazer por anos. Pela vida toda, não. Nem é suposto.

Pelos meus filhos, mas também por mim, eu compreendi que mereço mais. E por isso, mesmo que a esperança falhe, eu sei que, não só por mim, mas também por eles, eu preciso de resolver esta situação. Antes que o seu impacto se torne mais sério. Em neles, mas também em mim.