Estava à procura de umas fotos específicas, mas depois de encontrar esta não consegui continuar.
Tinha que parar e escrever sobre isto. Não me recordo ou não se já o fiz.
Mas, esta imagem significa tanto que precisa ser transcrita e reescrita tantas e tantas vezes, que eu não tenha sequer hipótese de me esquecer.
Estaria eu grávida, e o Gabi na fase de escrever recados no frigorífico (Quem nunca?!).
Um dia, resolveu deixar esta mensagem. Não me consigo recordar dos pormenores, mas a mensagem continha tudo o que era para ele o amor.
Não lhe pedi nada, nunca tinha escrito nada deste tipo nem ele.
Para mim, foi um pequeno gesto que provou que realmente estava disponível em receber uma irmã, ou uma mana, como ele descreve.
O Gabi queria um irmão menino, e demorou para se conformar que seria uma menina. Mas, dá para perceber que não foi difícil apaixonar-se pela irmã mesmo antes dela nascer, pois não?
Hoje em dia, nota-se que ele a adora. Ui, se adora! E ela, para retribuir, só vê o mano à sua frente.
Que sejam sempre assim, amigos. Diferentes, confidentes, mas unidos. Porque de um irmão não se espera mais do que o apoio e amizade incondicionais.
Obrigada vida por estas experiências que fazem tudo valer a pena.
quinta-feira, setembro 19
quarta-feira, setembro 18
Deitei a Estrela... e decidi que seria diferente... [Diário da mamã Lu]
Estive a rever os textos que tinha guardados e este chamou-me a atenção. Podia ter sido escrito um destes dias, em que fiz exatamente o mesmo. Mas dessa vez, não para me sentar ao computador, mas para descansar um pouco antes de começar as tarefas que ficam para o fim do dia...
"Deitei a Estrela e fui dar um beijo de
boa noite ao Gabi. Faz-se tarde e tenho ainda tanto para fazer. Mas, hoje decidi que
seria diferente. As tarefas podem esperar. Eu preciso mesmo de me sentar.
Liguei o portátil e aqui estou eu. Estes bocadinhos são tão raros, que quando
paro, paraliso. Não sei por onde começar. Dou voltas e voltas às fotografias
que tenho para arquivar. São mais que muitos os momentos que nunca consegui
partilhar. Penso em todos os outros que não consegui registar. As agendas são
atualizadas por semanas para não perder o fio à meada, mas os vídeos com as
histórias deles ficaram suspensos algures no tempo.
Olho para o meu computador atolado de
informação e não sei o que partilhar primeiro. Tenho mais de 50 textos que
queria divulgar, mas não sei por qual devo começar. São textos escritos sem uma
sequência lógica. São textos escritos em dias como este, em que consegui pelo
menos 5 minutos ao computador. Tenho ainda outros que ficaram pelo pensamento e
nunca mais fui capaz de reproduzir.
E pronto. É isto. Não sei se irei
continuar."
E, na verdade não continuei. Não me recordo se pelo cansaço ou porque a Estrela entretanto chamou por mim. Os seus sonos tornaram-se difíceis de lidar. Acredito sempre que esta fase está quase a passar e sinto cada vez mais um aperto no coração por saber que não irá chamar para sempre. E sim, mesmo que seja cansativo, deixará muitas saudades. Só tenho pena por não conseguir ter sempre a energia que gostaria para aguentar noite e dia esta tarefa árdua e maravilhosa que é a de ser mãe...
Contem-me como é por aí: Também facilitam de vez em quando as tarefas para permitirem uns momentos apenas vossos? Também sentem esta nostalgia e aperto no peito por algo que ainda não terminou, mas que sabem não ser eterno?
Sobre isso nunca tive receio...
Quando me tornei mãe pela segunda vez não questionei sequer se o meu amor fosse igual.
Nunca pensei não amar a Estrela da mesma forma que amo o Gabriel. Acho que isso é natural. É tão minha filha como ele. Leem-se várias partilhas na internet sobre este tipo de receio. Este garantidamente não foi meu. Mas pensei noutro tipo de coisas, tive outro tipo de medos, debati-me perante outro tipo de obstáculos.
Mas, o amor.... Esse eu sabia que seria igual. <3
E convosco, como foi?
terça-feira, setembro 17
A liberdade dos meus filhos...
Cada vez mais se partilham formas de educação parental e posturas a adotar na maternidade. Cada vez mais se defende a necessidade de liberdade que as crianças necessitam.
Mas, sejamos sinceros, a liberdade de cada uma estará sempre condicionada a quem a permite. No meu caso, a liberdade dos meus filhos termina no momento exato em que me sinto perto de um colapso nervoso ou de um ataque cardíaco. É bom que eles explorem o mundo, que testem os seus limites, mas depois de tantos relatórios que já li sobre crianças e sobre a forma como adquiriram lesões que as acompanharam o resto da vida, não sou capaz de ficar ali quieta, à espera de os ver cair. Esqueçam! Esse não é, nem será nunca a minha postura neste papel de cuidadora.
Eles podem cair e eles caem. A Estrela até já partiu um braço e um dente. Mas, nem todos os sítios são permitidos. E, por exemplo, sofás, cadeiras ou qualquer coisa que lhes sirva de trampolim nunca será um local para explorar. Pelo menos, enquanto não se concentrarem devidamente no que estão a fazer. O meu coração de mãe e o pensamento de terapeuta não aguentam tamanha violência. Por isso, por cá, a liberdade deles não está apenas condicionada ao que eles querem explorar. Está também limitada por aquilo que eu sou ou não capaz de deixar. ;)
Como funciona aí por casa? Que tipo de liberdade vocês permitem aos vossos filhos? Deixam tudo e mais alguma coisa? Ou limitam as suas descobertas e ações a algum limite vosso?
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