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segunda-feira, junho 20

Desfocada de mim, mas não da minha estrada.

 Veem esta foto? Desfocada? Pois bem… É assim que eu me sinto.

Não desfocada da vida, dos meus objetivos, mas desfocada de mim.

Durante muitos anos não fui capaz de ver para além disto. Tinha uma espécie de nuvem a cobrir quem sou. E ainda tenho, na realidade. Talvez só com terapia isto passe.

Esta nuvem desfocou por completo quem eu sou. Quero dizer, quem eu consigo ver.

Pela lente dos outros, (felizmente), sempre ouvi coisas positivas a meu respeito. Mais do que aquilo que eu era e ainda sou capaz de ver.

Acreditava que eu devia viver a minha vida assim, sendo apenas uma sombra, uma imagem, que estando presente, não se dava a notar. Porquê? Por mil e um motivos. Um deles talvez tenha sido por medo de me ver. Por medo de me ver? Sim. Porque sempre disseram que eu não valia nada. Que a minha opinião não contava para nada. Outro motivo talvez tenha sido porque eu julgava não precisar de existir, apenas cumprir papéis e estar disponível para os outros, não para mim. Estando lá, capaz de observar os outros, não restava sequer tempo para me observar, verdadeiramente, a mim, tal como era, tal como sou.

Mas sabem que mais? A idade traz muitas rugas e cabelos brancos e até problemas de visão (para lá caminho), mas traz também a maturidade que nos falta para começarmos a repensar o que somos afinal. Quem eu sou? Ainda não sou quem quero ser. Mas prometi a mim mesma que nada nem ninguém vai contribuir para que esta nuvem permaneça ali. Eu quero ser capaz de olhar-me ao espelho e ter a visão de quem se consegue ver.

Não serei muito mais do que sou, só quero ter a capacidade de ver o que muitos conseguiram ver mas que eu tento esconder.

Vida, só te peço oportunidade para continuar a caminhada. O resto, deixa comigo, que eu dou um jeito de continuar na estrada!

 

E vocês?

Conseguem ver a vossa imagem tal como é? Ou há aí algo que vocês desfocam por medo ou receio de serem ou mostrarem ao mundo quem ele, há muito, já vê?

 

PS: E aqui fica um textinho tipicamente de segunda-feira. Amanhã voltaremos com um novo tema.

Desejo-vos uma ótima semana! 





quarta-feira, maio 25

Sim, eles crescem! Aproveita e viagem e cresce também!

 

Sim, eles crescem. E mais rápido do que julgamos.

Sim, eles crescem. E muito mais do que imaginamos.

Sim, eles crescem. E começam a questionar tudo o que lhes ensinamos.

Sim, eles crescem. E começam a refletir sobre tudo o que lhes mostramos.

Sim, eles crescem. E felizmente, nós temos a oportunidade para crescer também.

Por isso, não fiquem parados no tempo, evoluam também.

Eles crescem e aprendem tantas e tantas coisas. Não fiques parado e estuda também.

Eles crescem e questionam sobre o mundo. Faz o mesmo, duvida das tuas respostas e questiona o que sabes, também.

Eles crescem e querem explorar o mundo, testar novas teorias. Não assumas que não resultam, junta-te a eles e vai descobrir o resultado, também.

Eles crescem e adquirem a sua própria opinião. Não te julgues soberano e escuta a verdade que sentem no coração.

Eles crescem porque não bloqueiam. Porque observam em vez de olhar. Porque questionam em vez de aceitar. Porque escutam ao invés de só quererem falar. Porque experimentam ao invés de negar. Porque continuam a acordar todos os dias e a sentir a mesma ânsia de viver.

Eles crescem porque a vida é deles. Não vivas como se a tua não fosse tua, também.

Eles crescem. É verdade. E ainda bem. Aproveita e viagem e cresce também!




segunda-feira, janeiro 3

Welcome, 2022

 2022 chegou!

O ano pelo qual muitos esperaram. Um novo ano. Um ano novo. Um ano a mais. Mais um ano.

São muitas as formas de descrever o ano que se segue ou começa. Em cada uma delas, colocamos a nossa perpectiva. Em cada uma delas, atribuímos, ainda que inconscientemente, poder. E é esse poder que nos posiciona, antes de qualquer outra coisa, em relação ao que queremos, desejamos e esperamos para ele, para nós.

Já aqui partilhei várias vezes que gosto e acredito em recomeços, em começar de novo. Tudo o que nos faz virar a página, fechar o livro ou começar um novo capítulo, ajuda-nos a caminhar e a recuperar parte da esperança, motivação e força, que tantas vezes se vão desmorecendo com os desafios.

Começar um ano novo, diferente, que se deseja melhor, tem muito significado para mim. É recuperar a capacidade de acreditar de novo, de eliminar qualquer experiência que possa contribuir negativamente para estagnar o que sou ou no que me quero transformar.

O ano passado foi mais um ano poderosissímo. Nele desafiei muitas partes de mim, deparei-me de frente com as minhas maiores dúvidas. Questionei-me se seria capaz. E ainda questiono. Mas, neste início de ano, recupero a capacidade para acreditar que darei conta de tudo, que serei capaz de me superar. Uma vez mais. E assim, neste ciclo, tento encontrar e lutar por uma melhor versão de mim mesma. Uma melhor versão, não só para mim, mas muito para e pelos meus. Quero continuar a mostrar-lhes que somos os únicos responsáveis por mudar o Mundo, o nosso Mundo. Quero mostrar-lhes e ensinar-lhes a acreditarem em recomeços. Quero ensinar-lhes a olharem para as experiências como experiências que são e não como marcas que condicionarão todo o seu futuro. Quero mostrar-lhes que, a cada novo ano, ganhamos um novo poder, uma nova força, uma nova esperança e uma capacidade maior de fazer tudo acontecer. Dentro e fora de nós.

Acreditar em novos ciclos, mesmo sem sabermos como serão, ajuda-nos a renascer de alguma forma. Permite-nos priorizar novamente as nossas escolhas e lutar por aquilo que nos faz bem e que nos faz sentir melhor.


Para este ano, não desenho planos. Tenho apenas dois ou três objetivos e duas ou três coisas que gostaria de fazer. Mas, sem prazo, apenas em forma de lista. Daquelas que vamos riscando à medida que se completam. Mas, pelo contrário, sou exigente no que toca a cuidar de mim e dos meus. Quero estar à altura deles. Quero ser capaz de me doar, de lhes mostrar e ensinar o valor da vida. E esse valor, não está em nada mais, do que no saber viver.




E por aí, como são os inícios de ano? O que colocam nos vossos planos?


Que seja um 2022 muito FELIZ para todos! Que sejamos capazes de melhorar a história e de a fazer valer a pena, a cada dia que passa.

SEJAM FELIZES!

quarta-feira, junho 23

Ser mãe jovem: mudança...

Quando somos mães antes de nos conhecermos como mulheres, passamos por fases que nem sempre seriam fáceis de passar. Atropelamos uma fase da vida durante a qual nos iríamos descobrir, durante a qual iríamos completar a nossa própria definição de vida.

Mas, ao mesmo tempo, quando somos mães antes de nos conhecermos como mulheres, a vida ganha uma nova definição, a definição mais simples e verdadeira. Aprendemos a valorizar o simples, a colocar em perspectiva, a ultrapassar medos e dificuldades em prol de um bem maior: o nosso bebé.

Acredito que o nosso processo de mudança surge mais rápido, afinal, somos obrigadas a crescer. Mas ao mesmo tempo não acredito que nos mude por completo. Ter sido mãe jovem talvez não tenha mudado quem eu seria, mas acredito que acelerou o processo de descoberta da vida. Acredito que passamos a dar importância a assuntos que realmente merecem valor e a menosprezar outros que podem ficar para um plano inferior. E talvez o aprendamos mais depressa...

Acredito que cada uma de nós terá o seu próprio processo de descoberta, baseado em tudo o que já viveu até então e na forma como já encara o mundo.

Acredito que a maternidade pode mudar-nos, mas mais do que isso, ela pode moldar quem somos. Porque há valores que não mudam assim. Eu continuei a mesma menina, apenas adaptada a uma versão ligeiramente diferente.

Este é um assunto sobre o qual reflito com alguma frequência. Costumo ler regularmente outras mães que dizem "que ser mãe as mudou por completo". Eu não consigo imaginar-me completamente diferente, porque não sei bem quem era. Estava ainda em descoberta e apenas adaptei o meu caminho por um caminho diferente.

Acredito que existem coisas que nos mudem, mas será que a maternidade nos muda assim tanto de verdade? Ou apenas acelera um processo? Ou apenas molda quem já éramos?

O que acham vocês sobre isto?



segunda-feira, fevereiro 1

O silêncio também fala.

O silêncio também fala.

Hoje é só isto que tenho para vos dizer.
Porque no silêncio recuperamos forças e menosprezamos o que não merece valor.

Outro dia eu falo.






segunda-feira, novembro 23

Demorei anos para perceber...

Demorei anos para perceber. Toda a vida ouvi falar sobre ser elegante, sobre parecer bem, sobre vestir bem. Havia um padrão qualquer, que mesmo sem o definir, ele fazia parte dos meus planos.

Mas foi precisamente no momento que decidi olhar para dentro, que comecei a entender o meu verdadeiro valor.

Demorei muito mais tempo do que desejava. Demorei muito mais tempo do que gostaria. Chorei muito mais do que queria por não saber o meu valor. Não que agora me sinta a melhor pessoa do mundo. Mas aprendi a não sentir-me a pior.

Aprendi que o nosso valor não se mede pelo que os olhos nos mostram, mas pelo que fazemos quando ninguém vê. Aprendi que o nosso valor não está nas obras que os outros vêem, mas naquelas que construímos sem ninguém ver. Aprendi que o nosso valor está para além do que queremos mostrar. Está na nossa capacidade para nos colocarmos no lugar do outro, de o compreendermos, de nos ajudarmos, de dar de nós mais do que alguma vez recebemos. Percebi que o nosso valor está nas coisas mais pequenas, naquelas que ninguém valoriza, mas que ninguém seria capaz de fazer.

Não me sinto mais do que o outro nem melhor a ninguém por ter percebido que o valor está dentro de nós. Mas aprendi que tenho algum valor. E isso basta.

Passamos tempo demais à procura de um protótipo de imagem perfeita, de um peso ideal,... Passamos tempo demais à procura de uma imagem que todos possam apreciar, de usar roupas que todos possam invejar... Mas esquecemos que o valor de cada um de nós não reside em nada disso. Esquecemos que a roupa disfarça a bondade e a maldade, da mesma forma. Esquecemos que o corpo é apenas o resultado do tempo que lhe dedicamos. Mas o nosso valor não. O nosso valor é o resultado do que dedicamos também ao outro. E essa é a parte mais difícil de compreender. O nosso valor não está na nossa imagem. Está no nosso interior. 





segunda-feira, outubro 12

E, finalmente, o blog mudou.


Ao longo dos tempos, tenho referido várias vezes que estamos em mudança por aqui. Elas vão acontecendo. E hoje chegou o dia de vos apresentar a nossa nova imagem. As mudanças surgem aos poucos, tal como acontece nas mudanças maiores e, aos poucos, com todo o respeito que tenho por mim e pelo tempo que dedico aos meus.

Olho para este cantinho e tenho um carinho enorme por todo o caminho que tem sido escrito. O blog surgiu numa fase de reviravolta completa na minha vida. Tornei-me mãe e a mudança ainda se revelou maior.

 

Sempre fui aquela menina sossegadinha, “na sua”, mas sempre fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance para me manter ativa. Estar parada não é propriamente o que mais gosto de fazer, por isso, se houver um desafio eu estarei lá. Adoro pessoas. Adoro estar em contacto com elas, aprender, crescer e ajudar as que mais precisam. E adoro escrever. Ah, como adoro escrever.

Aliei estes dois traços da minha personalidade e resolvi criar, também eu, um cantinho onde pudesse extravasar. Estaríamos em 2010 (?) não me recordo. Passaram 10 anos e este cantinho continua a ter o mesmo objetivo: ser o meu “refúgio”. Aqui sou apenas eu e os dedos, que registam tudo o que o pensamento mandar.

 

Apesar das voltas que a vida deu, tornei-me terapeuta. Não haveria outra formação que me completasse tanto e tão bem. Por mim já passaram centenas de vidas, que confiaram o que de mais importante existe: a sua vida. Sei que ainda terei um caminho para percorrer, uma nova realidade para conhecer, mas é isso que quero fazer.

 

O blog é e continuará a ser este cantinho instável, inconstante, em permanente mudança. Porque assim é a vida. Nunca serei blogger a tempo inteiro. Não que não seja apetecível, mas porque tenho tanto para fazer fora daqui. Quanto à escrita, essa fará sempre parte de mim. Parar, pesquisar, escrever, partilhar. É aquela sequência que mais sentido me faz. E é também por isso que algumas partilhas irão mudar.

 

Alterei a imagem do blog com um único intuito: torna-lo mais a minha cara. E o que mais prezo nesta fase da vida é a paz, a tranquilidade e a simplicidade da vida.

Não sou apenas a mamã Lu, mãe de dois, mas sou também a terapeuta Lu, de tantos outros.

Espero que vocês continuem por aí, e agradeço a cada um de vocês por todo o carinho e presença constante.

 

Já o “disse” inúmeras vezes, mas volto a reforçar: este cantinho existiria sempre, mas vocês desse lado tornam cada partilha, cada momento ainda mais especial. Obrigada!




segunda-feira, setembro 14

E se pudéssemos, todos os dias, tentar de novo?

E se pudesses, todos os dias, tentar de novo? Começar de novo, acreditar de novo?

E se pudesses todos os dias renovar a força e analisar novas soluções para os obstáculos e desafios que precisas vencer?
Pois bem.. fica feliz, porque todos os diastens essa oportunidade.

Todos os dias, ao acordares, tens a possibilidade de tentar de novo, como se fosse a primeira vez. Todos os dias, ao acordares, tens a possibilidade para tentar de novo, com um conhecimento e experiência cada vez maior.

Se hoje algo deu errado, se hoje algo não correu como desejavas, não descanses enquanto não conseguires alcançar. Não desistas de tentar. E não tentes antes de repensar uma nova forma para o fazer.

Durante anos, deitei-me com a incerteza de como seria o dia de amanhã. Não sabia como seria quando acordasse de novo. Nao sabia o que teria à minha espera. Aprendi a conversar comigo mesma no silêncio da noite. Aprendi a repensar sobre os problemas, a colocá-los no papel e a pesá-los, um por um. Aprendi a valorizar as coisas boas e a agarrar-me a elas para ter novamente força e coragem para tentar, para não desistir. Aprendi a pensar duas vezes antes de decidir qual seria o novo caminho. Aprendi a pensar por mim e a tornar-me uma espécie de conselheira para mim mesma. Escrevia e repensava sobre tudo isso. Guardava a revolta e a dúvida apenas para mim. Aprendi a não contar com mais ninguém para encontrar a solução. Por mais longínquia que parecesse, eu acreditava que ela existiria, algures, que deveria chegar.
Acreditava na capacidade que a vida tem para dar a volta e na fé, que me alimentava os momentos em que precisava de uma força extra.
Pensar de fora permite-nos obter uma forma nova de pensar, de perceber cada situação, de nos dar uma nova solução.
E, assim, todos os dias acordava disposta a acreditar que tudo seria diferente, que tudo seria melhor, que haveria uma solução e um fim para cada coisa que estava errada.

Aprendi a escutar-me. E aprendi, sobretudo, que por muito que a mudança nao surja na proporção ou na forma que a desejamos, ela pode acontecer dentro de nós. Dia após dia, somos capazes de mudar um bocadinho mais o nosso mundo interior e ficar preparados para enfrentar qualquer mudança.

Acreditem. Dia após dia que sereis capazes de (vos) mudar.

Amanhã, voltaremos a tentar?



terça-feira, junho 2

Eu pratico o RESPEITO. E tu, o que decides praticar?


Hoje, as redes sociais vestiram-se de negro. De negro para lutar contra uma das mais desrespeitosas atitudes humanas: o racismo.
Não me vesti de negro. Mas não significa que não seja apologista de toda a mudança de paradigma na sociedade humana.
Hoje e todos os dias visto-me de RESPEITO. Porque o respeito está na base de qualquer preconceito.
De nada nos adianta lutar contra o racismo, se não ensinarmos ao mundo o valor e a importância do RESPEITO. De nada nos adianta propagar manifestações, dando-lhes força e visibilidade se, no final, valores como o RESPEITO não estão lá e isso se traduz em mais e mais mortes humanas.
É URGENTE lutarmos juntos por aquilo que se perdeu, que se dilacerou ao longo do tempo. É URGENTE lutar pela IGUALDADE, pelo RESPEITO, pelo DIREITO que cada um de nós tem por viver e partilhar este mundo com tantas e tantas outras pessoas.
Se lutarmos pelo RESPEITO, se o praticarmos nas mais pequenas coisas, talvez o preconceito, a discriminação e a violência sobre o outro e nós mesmos comece a ganhar novos costumes.
É importante e urgente ensinar os nossos filhos a respeitar o outro. Seja ele qual for. Não importa a sua cor de pele, a sua nacionalidade, o que faz ou o que traz vestido. Não importa se nasceu com os membros todos ou desmembrado. Não importa se é alto, magro, gordo, baixo, se escolhe pintar o cabelo de uma só cor ou com todas as cores do arco íris. Não importa se nasceu homem, mulher ou se preferiu alterar a sua condição genética. Não importa se é capaz de falar ou não tem capacidade para levantar a voz. Não há um padrão para o que é ser normal, mas há um padrão para se ter RESPEITO. E é tão simples: Tem-se e pronto!
Vestir uma causa social, defender a quebra de correntes de preconceito ou violência, seja de que tipo for, é de uma responsabilidade enorme. Muitas foram as figuras públicas que se sentiram confrontadas com seguidores por darem a cara por temas como este, do racismo. Lutar contra o preconceito em relação à cor é tão importante como lutar por tantas outras causas nobres, como a violência doméstica, o abuso sexual, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e por aí fora. Cada um dá a cara pela causa que escolher. Mas todos juntos devemos dar a cara pela luta dos direitos humanos, como o RESPEITO.
Ontem, dia mundial da criança, quantos de nós nos demos ao trabalho de levantar a voz para defender as crianças que vivem à margem daquilo que é a nossa realidade? Quantos de nós levantaram a voz e deram a cara para lutar pelos direitos daqueles que serão o nosso próprio futuro? Defender a humanidade deve começar por baixo. Só quebramos paradigmas e estereótipos se incutirmos nas nossas crianças que TODOS temos o mesmo direito à vida e o mesmo direito a viver. Não defender as nossas crianças não será mais uma forma de passar por cima do que será necessário fazer para quebrar correntes de anos e anos a fio? Não sei. Talvez…
Se cada um de nós se der ao trabalho de lutar, de informar, de dar a cara e a voz contra a do seu vizinho, aquele preconceituoso, racista, que não olha a meios para atingir os fins… Se cada um de nós der a voz por cada atitude de desrespeito que passa mesmo por baixo dos nossos olhos, então todos estaremos a contribuir para um mundo melhor. Então, todos estaremos a contribuir para que o mundo quebre correntes de violência e se comece a propagar um bocadinho mais de amor.
Hoje e todos os outros dias, eu pratico o RESPEITO.
E tu, o que decides praticar?



(PS: Já sabem, texto escrito como se estivesse a falar. Não foi sujeito a segundas leituras nem correções. Por isso, perdoem-me se detetarem erros gramaticais).



quarta-feira, maio 13

A propósito da abertura das creches...


A propósito da abertura das creches tenho apenas duas coisas a acrescentar que não compreendo.
Primeiro, porque já muitos falaram sobre isso e, segundo porque não tenho nenhuma medida realista para sugerir:

Ponto 1:
Se não se consegue manter o distanciamento social em plena praça pública (isenta de barreiras arquitetónicas e constituída por pessoas, que à partida, seriam capazes de controlar cada passo dado), como será possível “fazer” crianças (bebés) cumprir uma distância de segurança de 2 metros entre outras crianças que NÃO COMPREENDEM O QUE SE ESTÁ A PASSAR, em locais onde, talvez, só coubessem os funcionários distribuídos pela distância imposta?

Ponto 2:
Se não se consegue que, em estado de emergência, famílias se mantenham isoladas a quilómetros de distância, havendo circulação de bens e alimentos entre casas tão distantes, como conseguirão manter objetos (no caso brinquedos) afastados de crianças que supostamente sentar-se-ão a 2 metros do colega mais próximo, sem barreiras que as impeçam de desejar o que o colega tem? Se não se controlam vontades e desejos em pessoas adultas, como será possível fazê-lo em seres tão pequeninos?

Estou completamente indignada. Tenho um nó na garganta por cada família que terá que passar por isto. Não há como compreender o objetivo destas medidas. Ainda estou na esperança que tudo isto tenha sido apenas um “jogo de estado” e que, antes do dia 18 seja decretado um “novo estado de emergência”.
Eu sei que não há economia que aguente, mas haverá criança que resista?

terça-feira, abril 21

Quantas horas perdeste a olhar para ti? [Diário da Lu]


Ontem queria escrever sobre mim. Pode soar a egoísmo, dito assim. Mas, na realidade não o é. Pensar sobre nós mesmos deveria ser algo tão natural quanto dar palpites sobre o outro. Pensar sobre nós mesmos deveria ser primordial. Quem nunca desejou começar algo novo, uma dieta ou um plano de exercícios, por exemplo? São várias as vezes em que colocamos algo nos nossos objetivos, algo que nos faça sentir bem. Mas, quantas vezes colocamos como objetivo “cuidar de quem somos”? Talvez nenhuma? Poucas serão…
Deveria ser tão natural “pensar sobre nós mesmos” como “fazer exercício”, “ler um livro” ou “ver uma série da netflix”. Durante este tempo de quarentena, quantas horas perdeste a ver algo nas redes sociais, a ver TV ou simplesmente a olhar para o vazio? E para ti? Quantas horas perdeste? Quantas horas paraste em frente ao espelho a ver quem és? Quantas horas fechaste os olhos a pensar sobre o que sentes, sobre quem te tornaste?
Não considero egoísmo olhar para dentro de mim. Sobretudo porque o faço depois de olhar para todos os outros. E, claro, nem sempre “sobra” esse tempo.
Ontem queria muito escrever algo. Tinha tantas coisas para contar, tantas coisas para escrever, tantas ideias para registar. Mas não fui capaz. Não fui capaz porque me faltou o tempo que precisava. Não fui capaz porque quando tive esse tempo já não me apetecia.
Mas, hoje sim! Hoje quero recomeçar mais um dia com ânimo leve. Há tantas coisas guardadas! Não quero fazer promessas, só quero continuar a “desocupar”…


segunda-feira, janeiro 6

Quem dera que as palavras fizessem magia...


Tenho a sorte de ter quem me leia. Tenho a sorte maior ainda de ter alguém disponível para ler com atenção o que escrevo. Escrever para a internet e para o mundo não é uma coisa simples, dizem por aí. Sinceramente, prefiro nem pensar que do outro lado do teclado está alguém. Escrevo de forma direta e espontânea, aquilo que me vem à ideia. Escrevo sem pensar muito, como se estivesse a conversar com um confidente. Da mesma forma que as palavras que dizemos não se podem apagar, prefiro escrever sem corrigir. Torna tudo mais genuíno, mais puro, mais meu. Perco-me em cada texto da mesma forma que me perco ao pensar. Muitos são os textos que escrevi e nunca partilhei. Escrever faz parte da minha vida como respirar ou comer. Escrevo desde sempre, como se na escrita encontrasse o meu melhor amigo. E, na realidade, é nela que o encontro.
Hoje, mais uma vez, li um comentário tão bom, mas tão bom, que parei tudo e vim até aqui. Precisava expressar o que aquele comentário despoletou. São vários os comentários que chegam e enchem o meu coração de amor. Hoje um dos comentários desejava que este ano trouxesse muitas “palavras mágicas”.
E ao responder “quem dera que as palavras fizessem magia” senti necessidade de dizer tudo o que desejava ser magia…

Quem dera que as palavras fizessem magia… Não as minhas, mas as de todos nós.
Quem dera que as palavras fossem capazes de espalhar magia, aquela que falta aos olhos dos homens.
Quem dera que as palavras fossem capazes de retratar magia, tal como nas histórias encantadas ou nos mais belos filmes de amor.
Quem dera as palavras fossem todas de magia e se transformassem em palavras belas, simples e cuidadas, ao sair de cada um de nós.
Quem dera as palavras fossem todas mágicas, tão mágicas, que fossem capazes de transformar as ideias e os ideais de tantos e tantos homens na Terra.

Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas e faria das minhas as palavras mais belas do mundo, capazes de penetrar no pensamento de quem as lê, de se enraizarem no coração de cada um de vós.
Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas e dedicar-me-ia a enaltecer a beleza das crianças, acabando assim com a maldade contra elas.
Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas e dedicar-me-ia a defender os fracos, tornando-os fortes perante os que os diminuem.
Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas e dedicar-me-ia a espalhar a bondade e a justiça, de tal forma que, a mentira e a crueldade deixassem de existir.
Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas e dedicar-me-ia a provar de que nada nos adianta proferir palavras cruéis uns para com os outros.
Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas e os vilões virariam rouxinóis a pairar sobre jardins verdejantes.
Tivesse eu a capacidade de pronunciar palavras mágicas, e transformaria miséria em alimento para os pobres.

Fossem as minhas palavras mágicas e os meus textos não seriam apenas meus, mas do mundo.
Fossem as minhas palavras mágicas e os meus textos não seriam apenas pensamentos meus, aleatórios, simples e ingénuos, mas uma base incutida em cada em de nós.
Fossem as minhas palavras mágicas e os meus textos transformariam pessoas inúteis em produtivas, pessoas cruéis em delicadas, pessoas más em ativistas do bem,..
Fossem as minhas palavras mágicas ou tivesse eu a capacidade de fazer magia e o mundo talvez fosse um lugar melhor.
Não sendo, que a magia da criança que habita em cada um de nós, nos permita olhar para o mundo e acreditar que um dia, todos seremos capazes de o transformar num lugar melhor.

Obrigada por estarem desse lado, pelo carinho imenso com que me presenteiam tantas vezes. De facto, posso não ter palavras mágicas, capazes de mudar o mundo, mas acreditem que vocês contribuem para que o meu seja muito mais feliz. Gosto disto. Farei disto o meu passatempo sempre que puder. Ter o privilégio de vos ter aí, a aturar-me e ainda a transmitir tanto carinho é absolutamente incrível. OBRIGADA!




sábado, janeiro 4

É fácil ter filhos. Difícil é ser pai (ou mãe).




É fácil ter filhos. Difícil é ser pai (ou mãe).
Um filho nasce de uma vontade, de um desejo, de um sonho ou apenas do acaso.
Não importa a forma como é gerado, será sempre um filho que necessita de um pai (ou mãe).
Um filho nasce para trazer vida. Um pai nasce para dar vida.
Um filho nasce para aprender. Um pai nasce para ensinar.
Um filho nasce para integrar. Um pai nasce para o integrar.
Um filho nasce para ser acolhido. Um pai nasce para acolher.
Um filho nasce e revoluciona todas as vidas à sua volta. Um pai já lá está, para vivenciar cada revolução.
Um filho nasce para trazer mudança. Um pai nasce para ser diferente. Diferente do que era, do que foi. Para deixar de ser a prioridade e passar a priorizar. Para deixar de ser o centro das atenções para girar a atenção em torno de um novo ser.
Um filho não escolhe nascer. Um pai pode não escolher, mas mesmo assim, não poderá nunca abdicar do que fez. Um ser humano não é um brinquedo, um jogo ou um objeto que se cria e deita fora, que se despreza, que se maltrata. Um filho é o bem mais precioso da vida de todos nós. Um filho é alguém que nasce para ser nosso durante uns anos, mas que depois terá direito à sua liberdade.
Um pai nasce para viver aprisionado durante uns anos, não para cobrar a liberdade de alguém durante toda a vida.
Um filho nasce para ser feliz. Um pai nasce para o ajudar a encontrar a sua própria felicidade.
Um filho nasce para viver. Um pai não nasce para lhe tirar a vida.
Revoltam-me os casos de violência, de agressão, de atentado contra a integridade física e emocional das nossas crianças. Uma criança é um ser humano do mundo. Tudo o que sofrer hoje ficará para sempre com ela. Será refletido de diferentes formas no futuro. Terá marcas. Terá tatuado no peito, para sempre, tudo o que viveu.
Um dia será pai e terá a árdua tarefa de quebrar um ciclo vicioso de malícia, de maldade, de injustiça. Terá que travar lutas internas muito grandes, desnecessárias se tivesse sido apenas recebido com amor.
Um dia será pai e poderá perpetuar as suas marcas, causando feridas iguais ou semelhantes nos seus descendentes. E dessa forma, a história continuará igual, geração após geração.
Um filho nasce e não precisa de mais nada para além de amor.
Do que precisas tu quando não és capaz de o dar?
Quem foste tu quando eras criança?
Eras feliz? O que fizeram contigo para te tornares assim?
Um filho é parte de ti. Serias capaz de arruinar os teus próprios membros?
Um filho é a parte de dentro! Serias capaz de arrancar o teu próprio coração a sangue frio?
Então, porque o fazes com o teu filho?
Cuida dele. Mesmo que não saibas cuidar de ti.



quinta-feira, janeiro 2

Janeiro.

Janeiro. O mês dela. Quase não escrevo a palavra "Janeiro". O ano começa e as atenções vão para a globalidade de todos os meses, ficando "Janeiro" confinado aos votos de "Bom ano novo". Mas, desde que janeiro passou a fazer parte da minha vida, sinto necessidade de falar dele, chamando-o pelo próprio nome.
Janeiro é o mês dela, da Estrelinha. Um dos meses mais importantes do ano para mim. (mas sobre isso falaremos depois, porque com toda a certeza o espírito do seu aniversário será intenso daqui a uns dias).

Apesar de ter imensos objetivos e planos para colocar em prática, este mês o plano é mesmo não ter qualquer tipo de plano. Fará sentido?
Retrocedendo um bocadinho no tempo... Em Janeiro do ano passado prometi nunca mais me afastar deste cantinho. Este é realmente o meu espaço, o lugar onde me encontro e onde me perco, o lugar onde me coloco em primeiro lugar e me torno um bocadinho "egocêntrica", coisa que nada tem a ver comigo fora daqui. Mas, cheguei à conclusão de que todos precisamos de um bocadinho só nosso. E aqui, mesmo que desse lado estejam cada vez mais pessoas, eu estou sozinha, com os meus botões e o teclado do computador, a debitar, de forma leve sobre o que a minha alma e vida transportam. E transbordam em tantas coisas, que vir até aqui é quase obrigatório, é uma espécie de "terapia".

Mas voltando ao plano de não haver um plano... Sendo este um dos meses mais importantes do ano, tenho noção de que o tempo para cá vir será, novamente, aleatório. Por isso, este ano, poupei-me às exigências habituais que faço em relação a mim mesma e prometi que não teria qualquer tipo de plano para este inicio de ano. Quero manter-me por aqui, quero alterar algumas coisas, falar mais sobre alguns temas e aprofundar outros. (in)Felizmente, ideias, planos e objetivos não me faltam. Mas na falta de tempo para tudo o que gostaria, vou permitir-me cumprir o mínimo, que é parar o corre corre do dia a dia e vir até aqui. E, ao mesmo tempo, acreditar que desse lado compreenderão que todas as partilhas aleatórias retratam apenas a vida real de uma mãe que imagina mil e uma coisas, que tem responsabilidades das quais não pode abdicar e que se coloca em último lugar na lista. Mas, que mesmo assim, não desiste de fazer o que gosta. E isto é realmente algo que me dá muito prazer.

Por isso, apesar de ser "tradição" revelar alguns planos no início do ano, não o farei por cá. Cada coisa a seu tempo. E agora é tempo de...?


quarta-feira, janeiro 1

Obrigada, 2019. [Diário da Lu]


No penúltimo dia do ano 2019 consegui parar um bocadinho para refletir e registar o que vivi ao longo do ano. Escrevi um texto demasiado longo, por isso, e porque o ano 2019 já está guardado nas gavetas da memória, deixo aqui um pequeno resumo sobre esse ano.

"Este ano foi especial. Mas nem sei porquê. Não enriqueci, não viajei, não fiz nada de muito diferente. Quer dizer, ganhei ontem 4 euros numa raspadinha. Estive na Serra da Estrela, na Lourinhã, nas Caldas da Rainha (ainda que tenha sido só para uma visita ao hospital), em Piodão, Alcobaça e até em Penafiel,… Faltou-me ir a Fátima, a Lisboa e às Maldivas. Mas, agora é tanta gente por lá que mais vale adiar até passar de moda. Fiz algo de diferente? Talvez. Fiz a minha primeira compra online. Mas essa foi pela vez do Pai Natal, por isso, nem sei se conta.
O Gabi completou 1 década e tornou-se finalista do primeiro ciclo. Como cresceu! Ou, devo dizer, como envelheci? Fiz cerca de 30 000 Km ao volante, mas não foi para muito mais do que para trabalhar.
Poderia ter sido um ano igual a tantos outros, mas foi bem desgastante. Foi um ano em que combati desafios e em que me desafiei. Foi um ano em que passei a olhar mais para mim e a dar-me mais valor. Foi um ano em que tomei decisões importantes, em que fiz escolhas especiais, em que deixei algumas coisas para agarrar outras. Foi um ano em que adormeci vezes sem conta ao deitar a Estrela, mas foi um ano em que comecei a ligar o computador uns minutinhos antes de dormir.
Foi um ano em que estive mais distante do que o habitual, mas é um dos anos que termina com dezembro a aquecer-me o coração, como poucos.
Sou de recomeços, por isso, é claro que fiz um testamento sobre este ano. Escrevi basicamente sobre o que sinto que o ano me acrescentou. É um texto bem longo e que faz parte do meu diário pessoal. Sem dúvida, este foi um ano especial. Não sei ao certo qual palavra o descreve, mas talvez descoberta seja a ideal."

A todas as pessoas que nos acompanharam ao longo deste ano, a todas as que estiveram sempre presentes e me apoiaram, um ENORME OBRIGADA!


quarta-feira, novembro 27

Quarta-feira é dia de.... Bloqueio?!


Semana de mudanças por cá. A pessoa faz o quê? Define o que quer mudar. E muda. Ou pelo menos tenta. Muda de atitudes. Nada mais. Continua a tirar da gaveta e dos cadernos todos os apontamentos que se arrastam consigo há anos.

Começamos pela segunda e ok. Terça feira e ok. Mas, chego a quarta-feira e bloqueio. Mas porquê? Tentei, tentei, tentei. Mas desisti. Aliás, adiei. Porque na verdade não desisto de nada. Mas adiar tantas e tantas vezes é equivalente a desistir, certo? Preciso de escrever isto e dizer esta frase em voz alta até perceber que não o posso voltar a fazer.

Por isso, mesmo que o objetivo não seja partilhar algo de forma escrita, resolvi que precisava de o fazer.
Adivinham o que tenho previsto para as quartas feiras? Pois é, isso mesmo: os vídeos. E o que faço? O mesmo de sempre: ADIO! Mas, não posso adiar mais. Não posso. Tenho que desafiar-me. Preciso disso. Preciso de combater todos estes fantasmas que me acompanham e não me deixam “evoluir”. Mas, calma. Com calma que chegarei lá.

Sou pessoa de planos, de executar depois de definir o que quero fazer. Na verdade, tenho tanta coisa definida que talvez não precisasse escrever nada nos próximos anos.
Já partilhei a dificuldade que sinto em fazer vídeos. E acabo sempre por lhe juntar alguma desculpa. Mas, sabem que mais? Cansei! Prometo que cansei! Por isso, torçam por mim. Que eu seja capaz de cumprir o que o meu coração inquieto diz para fazer.
Respira fundo e… Adiei, mas esperem lá que não sou de perder desafios, sobretudo quando se tratam de desafios sobre mim mesma.

The end.
Vemo-nos no próximo capítulo! ;)

segunda-feira, novembro 25

Afinal, qual é o teu propósito?


Segunda feira é sinónimo de textinho desabafo, onde "falo" abertamente sobre mim e sobre os meus dilemas. Aqui, partilho a minha opinião sobre o mundo, sobre a forma como o percepciono e questiono. 
Hoje, deixo alguns pensamentos que me ajudaram a definir o que quero para este cantinho e o motivo pelo qual continuo a partilhar tantas coisas publicamente. A internet tem evoluído e a forma como as pessoas acedem a ela, também. Durante esta evolução, já passei por várias fases, entre as quais, a de me questionar sobre o motivo pelo qual continuo a querer partilhar a minha visão sobre o mundo. Apesar de algumas coisas desagradáveis surgirem através da internet, defendo sempre todas as vantagens que ela traz. Por isso, coloco em questão tantas e tantas coisas, procurando, no fundo, uma resposta para mim e, quiçá. fazer-vos repensar comigo sobre tudo isto. Hoje, questiono-vos sobre o vosso propósito quando utilizam a internet, nomeadamente, quando utilizam as redes sociais?

Quanto a mim, aqui fica a resposta:
Eu não venho à internet para obter aprovação. Se eu quisesse aprovação, pedia um crédito ao banco ou inscrevia-me num novo ciclo de estudos.
Eu também não venho à internet para criticar alguém. Aliás, devo ser das pessoas que menos critica o outro. Para criticar já me tenho a mim. Talvez seja a única pessoa com real conhecimento de causa para o fazer sobre mim mesma.
Eu venho à internet partilhar pensamentos, fazer-vos pensar em pequenas partes do que penso sobre mim enquanto pessoa e sobre o mundo que me (nos) rodeia. Eu venho à internet para trocar ideias, partilhar experiências e crescer enquanto indivíduo.
Eu venho à internet para conhecer pessoas, realidades iguais ou diferentes da minha. Não venho à internet para provar que a minha realidade é a melhor.
Eu venho à internet para trocar opiniões, para dar a minha e compreender a vossa. Não venho à internet para impor a minha opinião, mas sim para a moldar de forma a albergar pontos de vista diferentes.
Eu venho à internet para me distrair, para sair da rotina, para “divagar”, para ver o mundo e ao mesmo tempo sentir que não vi nada.

Às vezes, sinto que falo demais, que dou opiniões em demasia. Nessas alturas, questiono-me sobre o porquê de o fazer. De igual forma, questiono-me sobre qual será o propósito de quem vem até cá só para partilhar isto ou aquilo, sem nexo ou fundamento, sem explicação, contextualização ou justificação. Consigo compreender isso nos jovens, conseguia compreender isso quando surgiram as redes sociais. Mas, ainda não consigo compreender isso agora, quando se trata de pessoas mais velhas. Será solidão? Há vários estudos, palpites e opiniões sobre a associação da solidão ao uso das redes sociais. Será necessidade de aprovação? Falta de ego? De objetivos de vida? De propósito? De trabalho? Tempo a mais? Ou falta de crítica? Será mero divertimento? Ou entretenimento? Ou pura inocência, ignorância ou até experiência? Não sei. Talvez já me tenha cruzado com pessoas assim, algumas compreendo o objetivo e algumas existem com as quais é possível ter conversas interessantes. Mas há outras que parecem a vitrina de uma montra. Que se mostram, mas não se pode tocar. Que não respondem, não dão opinião, parece que estão sempre ali, atentos a tudo e a todos, mas não viram nada para além delas mesmo. Humm… Não sei. Serei eu a utilizadora errada da internet? Será que a internet mudou de objetivos e cabe-me a mim regressar aos livros e às conversas de café? Será que a internet tornou-se um lugar onde todos temos que ser produtores de conteúdo, tornarmo-nos inspirações e pessoas famosas? Mas, até estas têm um percurso, mais ou menos sólido, mais ou menos consistente... Quando se expõe na internet já todos sabemos o que elas fazem ou até pensam. Será que utilizo tão mal a internet que não percebi de que forma o mundo digital evoluiu e deveria remeter-me ao silêncio e à minha ignorância? Será?
Ou será que o nosso mundo está tendencialmente cada vez mais desorientado e precisa que cada vez haja mais pessoas que o façam reconhecer as suas próprias falhas? Será que o mundo precisa de pessoas que o faça criticar as suas próprias atitudes?
Crescemos críticos, olhamos para os nossos antepassados e somos capazes de criticar tim tim por tim tim tudo o que fizeram de mal, tudo o que contribuiu para sermos assim ou assado. Mas não somos capazes de olhar para nós e para o mundo atual e perceber qual é o nosso papel? Que as gerações que se seguem precisam do nosso exemplo, da nossa crítica, do nosso conhecimento sobre o mundo para evoluir e ter a capacidade de levar o mundo para um lugar melhor?
Será que é assim tão mau ter opinião? Será assim tão mau fazer os outros pensar sobre si mesmos?
Não sei… Isto são apenas questões e dúvidas que passam pela minha cabeça.
Acredito que todos temos um propósito de vida. O meu passa por ajudar. A mim, aos meus e ao próximo. E se essa ajuda passar para a aumentar a crítica, a capacidade de análise, por contribuir para um mundo mais conhecedor de si mesmo, por aumentar a autocrítica em cada um e o seu conhecimento sobre si mesmo e sobre “este local que é de todos nós”, então terei cumprido o meu dever. E enquanto puder, defenderei com toda a minha força a verdade, a justiça e o direito à opinião. Todos temos uma, não é mesmo. Qual é a tua?


PS. Este texto foi escrito há algumas semanas. Partilho-o agora, no seguimento do evento no qual participei no Sábado passado (#bracarainfluencers). Lá ouvi falar sobre o propósito, sobre o que move cada um de nós, sobre o que nos dá prazer. E este texto foi escrito a pensar exatamente nisso: qual é o teu propósito? O que te faz feliz? Não é novidade para quem me acompanha com atenção, que ando em processo de mudança (sobretudo interna) há algum tempo. Acredito que nada acontece por acaso e tudo tem um tempo certo para acontecer. Acredito que há coisas que se vão encaixando aos poucos, e que a vida se vai resolvendo se nos permitirmos compreender melhor tudo o que nos faz agir de certa forma e tentarmos mudar o que não nos acresce valor. Partilho este texto porque hoje estou ciente do que quero, porque hoje exatamente qual que caminho que estou disposta a seguir. E só posso acreditar que O melhor está por vir!

segunda-feira, novembro 4

Para este mês prometi...

Como começou o vosso mês?

Por cá, a cada dia que passa, a adrenalina aumenta. A adrenalina, a força e a vontade de terminar algumas coisinhas, também.
Aprendi a não jurar promessas. Não tem sido fácil cumprir cada uma delas dentro dos prazos que estipulo para mim.
Mas, há algo que este mês prometi a mim mesma: escrever mais e cuidar mais de mim.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo!
A escrita ajuda-me a cuidar de quem sou, a manter-me fiel a mim mesma...
Há temas que outrora trazia até cá que me têm deixado muitas saudades. Por isso, nada como tentar recuperar o que nos faz bem, não é mesmo?

E vocês? Traçaram objetivos para este mês?



segunda-feira, outubro 14

Afinal, quem és tu?


Gosto de refletir sobre a vida. Vocês já me conhecem. Gosto de me questionar porquê, de procurar respostas e até de encontrar novas dúvidas. Gosto de sentir o que sinto, de apreciar cada momento. Gosto de refletir sobre quem sou, quem fui, quem quero ser. Afinal, esta coisa da vida está em constante evolução, que nunca seremos mais os mesmos, nem nunca saberemos quem fomos, se não nos questionarmos de onde viemos, porque nos tornamos assim, porque queremos ser diferentes, porque gostamos ou queremos algo novo ou melhor.
Estes últimos meses têm sido de uma procura constante por uma das minhas maiores dúvidas: afinal, porque tenho medo? Já partilhei convosco que talvez o medo seja o meu maior obstáculo. E, talvez o medo seja, ao mesmo tempo, a resposta a algumas questões.
Hoje, parei para repensar um bocadinho sobre nós e partilho convosco alguns pensamentos que daí advieram.

Às vezes, deixamo-nos conduzir pelos nossos medos, por medos que nem são nossos. Às vezes, deixamos de pensar sobre nós mesmos e caímos no erro de acreditar sem questionar. Às vezes, deixamo-nos ir, ao sabor do vento, sem questionar porquê e como tudo isso aconteceu. Às vezes, deixamos que a vida nos leve a dar voltas que nunca imaginamos dar. Por medo. Por receio de acreditar na nossa própria intuição. Por medo, deixamos muitas vezes de sonhar. Eu já o fiz. Houve momentos em que talvez não me tivesse questionado. Houve momentos em que talvez tivesse agido sem pensar. Em mim, no que quero, no que preciso, no que me faz falta para continuar. Mas acredito que a vida é tão mais valiosa com todas estas dúvidas. A procura por uma resposta, o percurso até lá chegar é tão mas tão importante que só me faz vibrar e apreciar cada vez mais esta jornada pela Terra. E é tão bom que a cada nova descoberta sinta que um bocadinho de mim renasce. Renasce também a alegria de perceber o porquê, de entender de que forma tudo aconteceu e a esperança de melhorar. Renasce a fé, a vontade de ser mais forte, de chegar mais longe, de contrariar todas as tendências. Renasce a vontade de continuar nesta busca incessante pela resposta à pergunta “afinal, quem eu sou?”. Certamente, ainda terei um longo caminho para percorrer. Mas, se eu não souber quem sou, quem saberá de verdade?
Hoje, pergunto-te: afinal, quem és tu?