segunda-feira, março 25

Não, não há tempo para tudo!


Às vezes, acho que sou do contra. Quando percebo “correntes” na internet, ou temas que circulam de forma livre em vários locais, fico a pensar no que isso tem ou não de verdade. Hoje em dia, vendem-se muitas ideias pela internet afora, muitas das quais não são nada mais do que isso: ideias.
Para contextualizar a minha opinião (e já sabem que quero saber a vossa): Quando o Gabi nasceu (há quase 10 anos), não havia a quantidade de informação e partilha de lifestyle como existe hoje, especialmente em Portugal. Nos últimos anos, são cada vez mais as mães que aderem à internet para partilhar a sua experiência na maternidade… O que é extraordinário! Quantas mais partilhas de opiniões e ideias existir, mais facilmente compreenderemos que a nossa realidade não é única.
No entanto, por vezes, caímos na tendência de querer “vender ideias”. Entre todas as que existem, as que mais me intrigam são as que nos transmitem o equilíbrio e a perfeição.
Durante os primeiros anos do Gabi, eu era uma jovem cheia de força e determinação, que acreditava piamente que podia encontrar o equilíbrio e a perfeição em tudo, ao mesmo tempo. Sou perfecionista por natureza e sempre julguei ser capaz de mais e melhor, em tudo ao mesmo tempo. Aos poucos, fui percebendo que não era bem assim a realidade. Não porque eu não o conseguisse alcançar, não porque eu estava a agir de forma errada, mas sim porque esse equilíbrio e essa perfeição não existem. Não existem pessoas completamente perfeitas em todas as áreas da sua vida. Foi precisamente na internet, pelas partilhas extraordinárias de outras mães que percebi que não há um mundo (APENAS) cor-de-rosa após a maternidade. Não há. Não há forma de conseguirmos ter “tempo para tudo”, de estarmos sempre felizes e radiantes com todas as partes que constituem o nosso dia-a-dia. Assusta-me perceber que a necessidade de mostrar (ou provar) aos outros uma realidade perfeita pode levar outras mães a buscarem por algo que não existe.
Não se deixem enganar! Qual foi o dia em que conseguiram trabalhar 7 horas, tratar da casa, dar atenção aos miúdos, ter vida social, namorar com o marido e ainda cuidarem de vocês? Qual foi a semana em que isso aconteceu? Ouso ainda questionar em que mês isso aconteceu, sem terem que recorrer a ajuda ou a deixarem tarefas ou compromissos “para trás”?
O dia tem 24 horas e é obrigatório descansar. Por isso, são ainda menos as horas que ficam disponíveis para tudo o resto. Quem partilha “há sempre tempo para tudo” está provavelmente a partilhar um dia em que sentiram-se felizes por sair da rotina ou porque concentram a sua energia e dão prioridade a algo em particular.
Por isso, não há forma de “termos tempo para tudo”, estarmos sempre felizes e radiantes a viver um equilíbrio perfeito entre todas as coisas.
Tudo, na vida, é uma questão de perspetiva e prioridades. Nós sentimos felicidade em coisas que nos dizem muito. Por essa razão e por outras que nem irei mencionar, acabamos por sentir que o dia foi bom, mesmo que possamos sentir que “podia ter sido melhor”. Mas, esse resultado não traduz um equilíbrio entre todas as partes.
Espero ter transmitido um bocadinho sobre o meu ponto de vista.
Isto de escrever a meio da madrugada pode soar um bocadinho estranho.
E vocês já sabem que não costumo reler. Contem-me a vossa opinião sobre isto. É algo que gostaria imenso de saber…
Boa Semana!


Nenhum comentário:

Postar um comentário