segunda-feira, junho 20

Desfocada de mim, mas não da minha estrada.

 Veem esta foto? Desfocada? Pois bem… É assim que eu me sinto.

Não desfocada da vida, dos meus objetivos, mas desfocada de mim.

Durante muitos anos não fui capaz de ver para além disto. Tinha uma espécie de nuvem a cobrir quem sou. E ainda tenho, na realidade. Talvez só com terapia isto passe.

Esta nuvem desfocou por completo quem eu sou. Quero dizer, quem eu consigo ver.

Pela lente dos outros, (felizmente), sempre ouvi coisas positivas a meu respeito. Mais do que aquilo que eu era e ainda sou capaz de ver.

Acreditava que eu devia viver a minha vida assim, sendo apenas uma sombra, uma imagem, que estando presente, não se dava a notar. Porquê? Por mil e um motivos. Um deles talvez tenha sido por medo de me ver. Por medo de me ver? Sim. Porque sempre disseram que eu não valia nada. Que a minha opinião não contava para nada. Outro motivo talvez tenha sido porque eu julgava não precisar de existir, apenas cumprir papéis e estar disponível para os outros, não para mim. Estando lá, capaz de observar os outros, não restava sequer tempo para me observar, verdadeiramente, a mim, tal como era, tal como sou.

Mas sabem que mais? A idade traz muitas rugas e cabelos brancos e até problemas de visão (para lá caminho), mas traz também a maturidade que nos falta para começarmos a repensar o que somos afinal. Quem eu sou? Ainda não sou quem quero ser. Mas prometi a mim mesma que nada nem ninguém vai contribuir para que esta nuvem permaneça ali. Eu quero ser capaz de olhar-me ao espelho e ter a visão de quem se consegue ver.

Não serei muito mais do que sou, só quero ter a capacidade de ver o que muitos conseguiram ver mas que eu tento esconder.

Vida, só te peço oportunidade para continuar a caminhada. O resto, deixa comigo, que eu dou um jeito de continuar na estrada!

 

E vocês?

Conseguem ver a vossa imagem tal como é? Ou há aí algo que vocês desfocam por medo ou receio de serem ou mostrarem ao mundo quem ele, há muito, já vê?

 

PS: E aqui fica um textinho tipicamente de segunda-feira. Amanhã voltaremos com um novo tema.

Desejo-vos uma ótima semana! 





domingo, junho 19

Hoje é o Dia! Parabéns a ti!

 

Hoje é o teu dia.

(Ou foi, porque o dia para ti já terminou.)

 

Finalmente, chegou o tão aguardado dia, o dia de aniversário do Gabi.

Hoje o dia é dele! Hoje é um dia muito especial!

 

Gabriel,

Tenho a honra e o privilégio de ser tua mãe. E tenho a dizer que és o menino mais incrível que conheço! És um menino doce, carinhoso e ternurento, e mesmo que por vezes, estas qualidades estejam disfarçadas por emoções que flutuam à flor da pele, assim é a tua personalidade. És um menino inteligente, muito inteligente, perspicaz, curioso, engraçado. És um menino tímido, mas extrovertido quando confortável. És um menino de poucas palavras, mas ao mesmo tempo, capaz de permanecer em longos discursos.

Adoro como consegues reclamar, mas ao mesmo tempo, como consegues parar e refletir sobre várias questões e dilemas da vida. Adoro como tentas compreender os outros, a forma como os queres ajudar.

O teu valor é incalculável e o meu amor por ti é infinito.

Gabriel, que possas continuar a sonhar. Estarei sempre deste lado para te tentar orientar, alertando para os desafios da vida, mas ao mesmo tempo, sendo alavanca para que conquistes o mundo!

Que este ano que hoje começa possa ser tranquilo e muito feliz!

Happy Birthday!

 

Que este dia seja para sempre o TEU dia! O dia que te permita parar e refazer novos sonhos. Que este dia seja para sempre um dia que te permita sonhar.




sábado, junho 18

A minha última foto grávida.

 

Esta semana tenho focado todas as partilhas em torno do mesmo assunto: o nascimento do Gabi.

Pela primeira vez, em toda a história do blog, tenho partilhado convosco vários aspetos relativos a esta fase da minha vida.

Hoje continuamos mais um bocadinho.

Quem acompanha este cantinho há mais tempo, deve lembrar-se de vários momentos em que prometi falar sobre um ou outro assunto, mas nunca o fiz.

A verdade é que nunca fui capaz de o fazer de forma consistente. Não só porque manter uma rotina tem sido difícil, mas também porque este ano, pela primeira, vez sinto-me mais capaz do que nunca de recuar no tempo e recontar partes desta história.

 

Não sei se já estão fartos desse lado, mas desta vez decidi que iríamos continuar só mais um bocadinho.

Há exatamente 13 anos atrás dava entrada na maternidade. O Gabi só nasceu a dia 19, mas eu entrei no dia anterior.

 

Era manhã de dia 18, uma quinta-feira. Lembro-me desse dia como se fosse hoje. Levantei-me e comecei a preparar-me para ir para a faculdade. Sim, eu nunca parei de estudar (nem de fazer o que quer que fosse). Estava nos últimos dias de aulas. Não tenho a certeza se terminaria no dia seguinte e tinha um exame marcada para a terça-feira seguinte (uma data antecipada em relação aos meus colegas de faculdade, porque na semana seguinte completaria as 40 semanas).

Mas, o Gabi decidiu pregar-me uma partida pelo meio.

Mas continuando…

 

Estava a preparar-me quando, para meu susto e espanto, vejo sangue a cair na sanita. Meia aflita e nervosa liguei de imediato à enfermeira da preparação para o parto para pedir indicações. Disseram durante todas as aulas de preparação para o parto para não sairmos a correr para a maternidade, para telefonar primeiro. Assim o fiz. Segui as suas indicações e terminei de me preparar, preparar a mala do bebé e saí de casa. Tentei manter-me tranquila, completando o eyeliner (bem tosco, mas na altura habitual).

 

Na maternidade, fui avaliada. Primeiro as contrações. E depois de alguma hesitação entre se iria para casa ou se permaneceria na maternidade, lá permaneci em observação.

Para não vos maçar, deixo os detalhes sobre o parto para uma próxima publicação (diferente e especial).

Mas resumidamente, dei entrada no bloco de partos ainda no dia 18, onde administraram a epidural e onde permaneci à espera pelo nascimento do Gabi, que só aconteceu no dia seguinte…

Esta é a última foto que tenho grávida do Gabi.

Aqui, pareço tranquila e feliz. E de facto, era assim que me sentia. A minha pré-ideia sobre as contrações havia falhado. Afinal a dor aumentava de intensidade, não apenas de frequência. A epidural não libertou-me da dor, apenas anestesiou parte dela, o que obrigou a uma segunda dose e à experiência de continuar a sentir as dores das contrações em metade do corpo. Mas, mesmo assim, e apesar do pânico que sentia em relação ao parto, este dia foi muito mas mesmo muito especial. O que ajudou? Um companheiro tranquilo e relaxado (falarei sobre o seu papel num futuro post) e a respiração. 

Amanhã é o dia!

O dia em que o Gabi completa 13 anos de vida. O dia em que chorou pela primeira vez, o dia em que conheceu o mundo pela primeira vez. Mas amanhã falo sobre ele.




sexta-feira, junho 17

O enxoval do Gabi


O nascimento do primeiro filho vem sempre carregado de expetativas. Criamos as mais altas expetativas em tudo o que envolve a preparação para o seu nascimento.

Desejamos um quarto XPTO, bem decorado, com todos os utensílios possíveis e mais alguns e com uma quantidade enorme de roupas para os primeiros tempos.

Idealizamos as roupinhas, muitas vezes, que sonhamos num dos muitos sonhos que nos invadem durante a noite. Tudo é belo e perfeito (ok, ok, salvo exceções. Mas estamos aqui a partilhar a minha realidade, e a minha realidade toda esta fase foi assim, repleta de sonhos).

A maior questão é adaptar esses sonhos à nossa realidade. Adequar os gastos à realidade financeira, adequar a quantidade de utensílios ao espaço real.

Acreditamos que precisamos de tudo e de facto, muitas vezes, tentamos dar-lhe uso até percebermos que afinal, não era assim tão essencial.

Com o Gabi não foi muito diferente. Há 13 anos atrás não havia a quantidade de vendas online que existe hoje em dia, nem a diversidade que temos hoje em dia, nem a facilidade de acesso a tanta informação. Por isso, demos o nosso melhor. Pesquisamos tudo o que pudemos, percorrendo lojas infantis de uma ponta à outra e percebendo as diferentes realidades. Algumas ajustavam-se ao nosso bolso (vazio), outras nem tanto.

A verdade é que não fizemos nada sozinhos. Tivemos a ajuda de duas pessoas muito importantes, dois pilares. Se o Gabi teve tantas coisas, escolhidas a gosto, foi porque esta ajuda esteve lá para nós.

Um dia, o Gabi vai saber o quanto foi especial e o quanto as pessoas à sua volta se mobilizaram para o ajudar.

O Gabi é um menino muito especial e mesmo antes de o conhecermos ele já era, por todos, muito amado.

A caminha do Gabi, na foto, foi uma caminha recuperada. Emprestada, pintada por nós e ornamentada com a colcha mais bonita que conheci.

Tudo o que lhe compramos foi com muito amor.

 

Tenho revisitado todas as fotos deste tempo. Um dia destes junto todas num post para partilhar convosco.

Mas há algo que vocês podem espreitar: ISTO AQUI. (cliquem para assistir).