sexta-feira, junho 24

"Eu sei o que fizeste o Verão passado", mas não será apenas isto que os teus filhos saberão!

Dizem, para assustar, algo como "Eu sei o que fizeste o Verão passado". Talvez todos reconheçam de onde vem esta expressão, e foi mesmo do filme que eu a retirei. Mas se querem que vos assuste um bocadinho mais, os vossos (nossos) filhos saberão o que fizeram não apenas no Verão passado, mas em todos os Verões…

Pois é. Agimos (vou falar assim no plural para que não sintam isto como uma crítica, é apenas uma constatação, baseada na minha opinião e experiência sobre a sociedade em geral)… Explicações aparte, recomecemos:

 

Agimos, tantas e tantas vezes, de forma a ostentar felicidade, paz, tranquilidade, amor, equilíbrio, riqueza, conhecimento, experiência, e tudo quanto queiram imaginar (ou desejar)… São tantas as coisas que podemos incluir aqui que até me faltam as palavras para as descrever.

 

Criticamos, tantas e tantas vezes, os nossos pais e avós, no fundo as gerações antes de nós, por se limitarem a fazer e a agir em prol do que o outro ia dizer, do que o vizinho iria pensar, do que o senhor do jardim iria comentar, do que a senhora da mercearia iria partilhar. Mas, tenho a ligeira sensação (digam-me por favor que estou enganada, nem que mintam, ahah), que continuamos no mesmo registo.

 

Talvez por ser Verão e o sol propiciar o aumento da energia, sinto uma busca enorme pela partilha dos momentos mais felizes e saudáveis. Dito assim até parece estar tudo bem. Procuremos sim viver momentos felizes, sobretudo nesta fase de Verão. Mas, quero eu dizer que sinto uma enorme necessidade do gabarito em geral, de se partilharem vidas e momentos como se tudo naquelas vidas fosse perfeito, especial, sem dificuldades, e com a capacidade para se ultrapassar todos os desafios.

Claro que, de vez em quando, lá vem um influencer dizer que a vida não é um mar de rosas e lá partilham todos os espinhos pelos quais têm passado. Está na moda mostrar vulnerabilidade.

 

Mas sabem que mais?

Podem enganar quem quiserem, partilhar uma vida de sonho, mostrar apenas o lado bom, para cativar, para serem aceites, para terem notoriedade, para encherem o ego como se o ego fosse um balão. Podem partilhar o melhor Verão do mundo, como se vivessem só na suavidade das pétalas da rosa. Podem pintar o vosso mundo de cor-de-rosa e até escurecer o mundo ao redor, só para mostrarem uma certa garra, coragem, força de vencer, tal como todos nós desejamos ser (não digam que não queriam ser sempre assim?)

 

Mas, quando o fizerem, lembrem-se: há alguém que nunca seremos capazes de enganar: os nossos filhos!

Eles, que vivem o dia-a-dia connosco, que nos conhecem, que sabem o que é real. Podem não ter capacidade de verbalizar, de compreender, de expressar as dúvidas que têm sobre as incoerências que se passam entre a “vida fictícia e a vida real”. Mas, um dia, mais cedo do que imaginam, eles serão capazes de compreender tudo o que se está a passar, porque eles também o estão a viver.

Por isso, durante este Verão, o próximo Outono e Inverno, e as estações que se seguirão, antes de iludirem o mundo com uma vida que não vivem, mas desejam, foquem-se a criar essa vida antes de mais, dentro da vossa própria casa.

Foquem-se em viver essa vida com quem dela faz parte. Foquem-se nas memórias felizes que criam com os vossos filhos, ao invés dos momentos felizes que tentam mostrar ao mundo. Foquem-se nos momentos perfeitos que vivem em silêncio com os vossos, em vez de mostrarem ao mundo que o fizeram, mesmo que omitam que durante esses momentos não estiveram assim tão presentes.

 

O mundo, amanhã, saberá o que fizeram este verão, mas os vossos filhos nunca esquecerão o que fizeram em todos verões, e no fundo, em todas as estações do ano.

Vivam por eles, não para mostrar ao mundo. Não queiram ser um ídolo, sejam apenas um ser humano!

 

Mas claro, aproveitem muito o Verão.



 

PS: Apenas uma mensagem de alerta, depois de ter assistido a partes de um documentário sobre influencers, e que fez clique com tanto do que vejo por aí, aqui, na internet em geral.

quarta-feira, junho 22

Cuidado com o que vos dizem sobre o pós parto!

 Estava a tentar escrever um texto sobre o pós parto, mas não estou a conseguir prender a minha atenção à ideia que queria passar inicialmente. E, antes que desista, decidi mudar de direção e falar sobre isso de outra forma.

Indo direta ao assunto, porque o pós parto é algo que mexe muito comigo, por diversas razões:

Não olhem para o pós parto apenas como a primeira semana após o nascimento do bebé. Não olhem para a vida após o nascimento do bebé apenas como o primeiro mês de vida de ambos (o bebé e os novos papás). Não olhem para o corpo da mulher como a única propriedade que lhe pertence, e não ignorem os sentimentos, bons e maus, que podem surgir. Tenham interesse como se sente quando o bebé não a deixa dormir.

 

Acho que a sociedade em geral se limita a observar e a seguir modas, teorias, metodologias baseadas em… o quê?

 

Hoje, 5 anos após o nascimento da Estrela, posso dizer que ainda estou a atravessar uma fase de adaptação. As noites não são sempre fáceis e o tempo e energia não chegam para tudo. E tudo o resto que foi ficando para trás e que precisa ser reorganizado? Não morreu no pós parto, veio comigo de atrelado e agora dá mais trabalho voltar atrás e recomeçar.

 

Foi muito mais simples viver o pós parto (as 6 semanas que teoricamente descrevem este período) do que o tempo que veio depois.

Foi muito mais fácil ter a casa organizada nos 3 primeiros meses, do que nos restantes, quando tudo tendeu a voltar “à vida normal”. E desde então, têm sido constantes as tentativas de adaptação. Ora à nova fase dela, ora a do mano (que não deixa de existir após o pós parto e em vez de um passam a ser dois a requerer atenção e cuidado), ora à nova fase da mãe, que se redescobre com o tempo.

Ninguém percebe tudo sobre a maternidade e sobre o impacto que terá na sua vida, e sobre o como é fácil ou desafiante ser mãe sem viver toda essa fase. Falamos de quanto tempo, afinal? A vida toda, não é não?

 

Não se deixem enganar quando alguém disser que no dia seguinte ao nascimento “eu percebi quem era eu afinal” ou quando partilharem que “recuperaram o peso na primeira semana”. De que peso estão a falar? Do corpo físico? Onde fica então o peso ou a leveza emocional? E as prioridades? Continua o corpo a ser assim tão prioritário para essa mãe que tinha invertido as prioridades? Mas se continua focada no peso, não terá mudado assim tanto, afinal. (?)

Cada uma terá a sua história sobre o pós parto e cada uma demora um tempo diferente a perceber qual o seu impacto. Cada uma de nós terá um processo diferente para viver, umas demoram mais tempo, outras completam algumas dessas fases mais cedo.

Mas todas nós estaremos no mesmo barco, enquanto assumirmos o papel de mãe e nos dispusermos a compreender o que cada fase traz de novo. Quem para no tempo não muda. Quem não muda não pode falar sobre uma fase que não viveu.

Se és mãe e ainda não te encontraste, se ainda não tens a “tua vida organizada”, não te preocupes. As mudanças requerem tempo, as mudanças não ocorrem da noite para o dia.




segunda-feira, junho 20

Desfocada de mim, mas não da minha estrada.

 Veem esta foto? Desfocada? Pois bem… É assim que eu me sinto.

Não desfocada da vida, dos meus objetivos, mas desfocada de mim.

Durante muitos anos não fui capaz de ver para além disto. Tinha uma espécie de nuvem a cobrir quem sou. E ainda tenho, na realidade. Talvez só com terapia isto passe.

Esta nuvem desfocou por completo quem eu sou. Quero dizer, quem eu consigo ver.

Pela lente dos outros, (felizmente), sempre ouvi coisas positivas a meu respeito. Mais do que aquilo que eu era e ainda sou capaz de ver.

Acreditava que eu devia viver a minha vida assim, sendo apenas uma sombra, uma imagem, que estando presente, não se dava a notar. Porquê? Por mil e um motivos. Um deles talvez tenha sido por medo de me ver. Por medo de me ver? Sim. Porque sempre disseram que eu não valia nada. Que a minha opinião não contava para nada. Outro motivo talvez tenha sido porque eu julgava não precisar de existir, apenas cumprir papéis e estar disponível para os outros, não para mim. Estando lá, capaz de observar os outros, não restava sequer tempo para me observar, verdadeiramente, a mim, tal como era, tal como sou.

Mas sabem que mais? A idade traz muitas rugas e cabelos brancos e até problemas de visão (para lá caminho), mas traz também a maturidade que nos falta para começarmos a repensar o que somos afinal. Quem eu sou? Ainda não sou quem quero ser. Mas prometi a mim mesma que nada nem ninguém vai contribuir para que esta nuvem permaneça ali. Eu quero ser capaz de olhar-me ao espelho e ter a visão de quem se consegue ver.

Não serei muito mais do que sou, só quero ter a capacidade de ver o que muitos conseguiram ver mas que eu tento esconder.

Vida, só te peço oportunidade para continuar a caminhada. O resto, deixa comigo, que eu dou um jeito de continuar na estrada!

 

E vocês?

Conseguem ver a vossa imagem tal como é? Ou há aí algo que vocês desfocam por medo ou receio de serem ou mostrarem ao mundo quem ele, há muito, já vê?

 

PS: E aqui fica um textinho tipicamente de segunda-feira. Amanhã voltaremos com um novo tema.

Desejo-vos uma ótima semana! 





domingo, junho 19

Hoje é o Dia! Parabéns a ti!

 

Hoje é o teu dia.

(Ou foi, porque o dia para ti já terminou.)

 

Finalmente, chegou o tão aguardado dia, o dia de aniversário do Gabi.

Hoje o dia é dele! Hoje é um dia muito especial!

 

Gabriel,

Tenho a honra e o privilégio de ser tua mãe. E tenho a dizer que és o menino mais incrível que conheço! És um menino doce, carinhoso e ternurento, e mesmo que por vezes, estas qualidades estejam disfarçadas por emoções que flutuam à flor da pele, assim é a tua personalidade. És um menino inteligente, muito inteligente, perspicaz, curioso, engraçado. És um menino tímido, mas extrovertido quando confortável. És um menino de poucas palavras, mas ao mesmo tempo, capaz de permanecer em longos discursos.

Adoro como consegues reclamar, mas ao mesmo tempo, como consegues parar e refletir sobre várias questões e dilemas da vida. Adoro como tentas compreender os outros, a forma como os queres ajudar.

O teu valor é incalculável e o meu amor por ti é infinito.

Gabriel, que possas continuar a sonhar. Estarei sempre deste lado para te tentar orientar, alertando para os desafios da vida, mas ao mesmo tempo, sendo alavanca para que conquistes o mundo!

Que este ano que hoje começa possa ser tranquilo e muito feliz!

Happy Birthday!

 

Que este dia seja para sempre o TEU dia! O dia que te permita parar e refazer novos sonhos. Que este dia seja para sempre um dia que te permita sonhar.