sexta-feira, janeiro 3

Sempre tarde, nem sempre a horas...

Sempre tarde, nem sempre a horas...

Estava a terminar de arrumar a cozinha quando, de repente, reparei nas horas. Já passa das 11 da noite, e ainda não tive tempo para parar. Felizmente, nos dias de correm, esta nem sempre é a norma. Agora consigo mais tempo para me sentar do que no último capítulo da minha vida. Mas durante 15 anos esta foi a minha realidade a grande maioria dos dias.

Ter sido mãe pela primeira vez aos 22 anos foi um privilégio, aos 30 uma benção. Tive os meus filhos no momento ideal para mim. No entanto, nunca fui apenas eu. Tenho sido, de vez em quando, agora.

Durante 15 anos vivi todos os dias para os outros. Trabalhei, cuidei de uma casa, dos outros, dei tudo (e um bocadinho mais) de mim. E nem sempre o tempo chegou para cuidar de mim. A inconsistência em tudo o que tentei fazer revela os períodos em que a vida se tornou ainda mais exigente.

Hoje, por diferentes motivos (um deles por ser o início de um novo ano e pela primeira vez em muitos anos sentir que quero recomeçar) perdi-me em tarefas que ficaram por fazer porque preferi priorizar outras coisas: estar com pessoas que são importantes para mim.

Ser mãe jovem é maravilhoso. Nunca me hei-de arrepender. Cresci muito. Cresci como pessoa. Mas profissionalmente, muito ficou por fazer. Os sonhos, planos e objetivos que tinha foram sendo adiados. Os projetos foram sendo guardados... Cresci como mulher. Mas não consegui, nem de perto, chegar onde queria como profissional ou empreendedora. Quem me conhece sabe que tenho um bichinho dentro de mim que não me permite parar. Não sou nem nunca serei a pessoa mais talentosa ou a mais criativa, nem tão pouco a mais inteligente. Mas sou uma apaixonada por diversas oportunidades que a vida nos coloca. E tenho noção de que perdi muitas.

As exigências da vida e outras coisas que para já não quero explorar (mas irei ao longo deste ano falar) foram colocando o meu lado profissional de lado.

Se eu pudesse voltar atrás talvez tivesse que mudar tanta coisa que não seria mais a mesma pessoa. E não seria esse o objetivo, por isso, estou em paz, e aceito que tudo tenha sido como foi.

Aprendi lições que não teria aprendido se tivesse sido diferente.

Ganhei maturidade que não teria ganho se tivesse sido diferente.

Ganhei conhecimento sobre mim mesma e sobre os outros.

Ganhei experiência. Ganhei a oportunidade de ver e acompanhar de perto o nascimento e crescimento de dois seres maravilhosos, os meus filhos.

Ganhei muito, muito mais do que posso relatar.

Mas claro, como tantas outras coisas foram ficando para trás, pelo caminho também me frustei, revoltei, pensei ser o problema por não ser capaz...

Hoje tenho consciência de que ninguém o é, tenho noção de que com tudo o que fiz não seria possível fazer mais. Ninguém o é. Ninguém consegue dar conta de tanto na vida.

Acredito que muitas pessoas desse lado passem pelo mesmo. Acredito que muitos desse lado terminem o dia com o sentimento de que ainda há tanto onde queriam colocar tempo e energia. O dia é longo, mas não suficiente para conseguirmos chegar a todas as áreas.

Não se culpabilizem se assim o for. Não se diminuam. Lembrem-se que talvez já deram demais durante o dia. Lembrem-se que a vida é feita de fases. Que para ganharem muito numa área de vida e poderem estar a 100% nela, outras terão que ficar para trás. Não esquecidas, mas apenas em espera ou a progredirem a um ritmo diferente.

Lembrem-se que talvez estejam a fazer mais do que é suposto. Ou talvez estejam a remar contra a maré. Ou talvez estejam mais sozinhos do que parece. Ou talvez as exigências nesta fase sejam mesmo demais. Não se frustem. Ou melhor, não deixem que a frustração vos faça querer ser diferente, ou desistir. Não desistam. Refaçam objetivos se for mais fácil. Desenhem-nos mais pequenos para que os possam trabalhar de forma mais gradual. No final, o mais importante é o percurso que percorrem do que a data em que irão atingir o objetivo a que se proponhem. Talvez o objetivo mude pelo caminho. Por isso, tentem concentrar-se no aqui e agora. Sabem da história da lebre e da tartaruga? Chega à meta quem não desiste. Mesmo que por vezes precisem de abrandar o ritmo, porque outras exigências se colocam como prioridade, um dia o ritmo há-de acelerar um bocadinho mais...

Desistir nunca é o caminho. Mas cuidar de nós, priorizar o que queremos atingir talvez seja uma parte da solução.

Para este ano, protejam 5 minutos do vosso tempo para cuidarem apenas de vocês e dos vossos objetivos. Nem que durante esses 5 minutos sejam apenas para alimentarem o sonho.

Há um estudo longo que conclui que sonhar é o que nos traz mais felicidade enquanto seres humanos. E, estou em crer que ser feliz é o que todos queremos, não é?


Sou muito grata pelas oportunidades que a vida me tem colocado à disposição. Durante os últimos anos cresci muito enquanto pessoa, mas não tanto enquanto profissional. Hoje sei que tenho muito mais a crescer em ambas as áreas. E aqui, eu sei que combino as duas...

Obrigada por estarem desse lado nesta nova jornada...

Com amor, Lu



quinta-feira, janeiro 2

2025

Talvez devesse escrever um post inspirador. Ou as minhas metas para 2025. Ou os meus fracassos de 2024. Ou os melhores momentos (porque apesar de ter sido um ano sofrido também houve momentos muito especiais). Ou... Talvez devesse falar sobre vulnerabilidades. Ou ainda talvez devesse persuadir-vos a ficar desse lado e a acompanharem-me por mais um ano.... Mas, vamos apenas começar 2025 da forma simples, ao meu jeito. As palavras que partilho são as que sinto no fundo do meu coração. Perdoem-me os experts em marketing digital. Perdoem-me todos os que trabalham para ensinar o que devemos ou não partilhar na internet. Muito aconteceu, mas eu continuo sem jeito nenhum para esquemas, continuo a ser apenas eu... Vamos apenas começar 2025 abrindo o meu coração...


2025, recuperei as palavras...

Prometi a mim mesma que nunca deixaria de vir aqui. Mas deixei. Deixei tantas vezes de cá vir que lhes perdi a conta. No entanto, a teimosia (chamam-lhe os invejosos) tem falado mais alto. Na realidade, a persistência e a resiliência não me deixam desistir. No fim de tudo, tenho prometido voltar. E cá estou eu, novamente, tentada a recomeçar.

Os registos mostram que desde Abril de 2023 que não partilho nada neste cantinho. Curioso. Por essa altura a minha vida estava virada do avesso. E eu, no ponto mais frágil de sempre (achava eu...).

Tanto aconteceu desde então. Tantos momentos marcantes, quase todos desafiantes. Mas... Estou aqui: sobrevivi!

Não podia deixar de voltar para agradecer à vida por esta oportunidade: a oportunidade de continuar a viver, pela oportunidade de viver experiências, pela oportunidade de usar o sofrimento para poder crescer, pela oportunidade de aprender sobre coisas novas e de aperfeiçoar os temas que tanto quero abordar...

Ainda não sei ao certo como o irei fazer, mas tenho uma certeza: irei dar o meu melhor. Hoje sei qual é a minha missão. E tudo farei para a cumprir.

A internet, e mais precisamente, este cantinho, foram tantas vezes o meu refúgio. Grande parte das vezes, foram os 5 minutos que parei para vir aqui que me permitiram encontrar-me comigo mesma. Foram os 5 minutos todos somados que me foram mantendo viva, com fé e esperança por dias melhores. Foram os bocadinhos que "perdi" para vir aqui que me fizeram "ganhar". Hoje tenho a certeza que não me esqueci de mim porque sempre tentei conectar-me comigo. As partilhas, as conversas, a escrita foram parte da minha terapia. Todos precisamos de a ter em dia :) Escrever é terapia. E hoje tenho perfeita noção de que foi este cantinho que me salvou.

Com o passar do tempo, e com a chegada de mais e mais pessoas, que dedicam 5 minutos do seu precioso tempo para ler o que escrevo, a responsabilidade de estar aqui também aumentou. E, por vezes, senti necessidade de me afastar. Porque nem sempre é fácil partilhar o que sentimos, principalmente quando as emoções se tornam demais e se tornam difíceis de processar.

Sei que a vida continuará a presentear-me com desafios, como tem feito até aqui. E talvez volta e meia  precise de me distanciar. Mas, se isso acontecer, eu sei que nunca será por muito tempo. Porque estar aqui, escrever, e escrever para partilhar convosco são das coisas que mais especiais que tenho na vida.


A todos vocês, desejo-vos um Ótimo Ano 2025. Sejam muito felizes!





segunda-feira, abril 24

Gosto de...

 Há quantas segundas feiras não venho aqui com um textinho do meu diário?

Estes tempos sem estas partilhas refletem o quanto a minha vida, volta e meia, está de pernas para o ar.

Se há coisa da qual sinto falta é destes bocadinhos de tempo que dedico a escrever.

Hoje, finalmente, liguei o computador, e não podia perder a oportunidade para escrever.

Fiquei a pensar sobre a quantidade de coisas que gosto, sobre o quanto algumas me fazem bem.


Eu gosto de...

Gosto de paz. Gosto de escutar e de ser ouvida. Gosto de compreender e de ser compreendida. Gosto de debater opiniões diferentes da minha. Gosto de acolher e ser acolhida.

Gosto de conversas longas e profundas, sinceras e genuínas.

Gosto de sair da minha caixa e aprender novos pontos de vista.

Gosto que me seja dado espaço para me poder expressar.

Gosto de dar e ajudar.

Gosto de aprender e de ensinar.

Gosto de ler, escrever e conversar.

Gosto de ter este cantinho, onde me posso expressar. Gosto de vos ter desse lado, que nos acompanhem e de vos acompanhar.


E tu, de que gostas?




domingo, abril 23

Mais do que um Bolo de chocolate (com receita)

 Este podia ser apenas um bolo. Mas não é apenas isso. É muito mais. É o tempo, a partilha, o carinho, o amor... É o ensino e o treino de competências não só de culinária (até porque não sou especialista), mas também de exemplo.

Este não é apenas um bolo, é tanto mais do que isso. É a memória do amanhã, o ato de carinho do qual nos iremos lembrar e que nos irá unir quando um momento difícil chegar.
Há muito tempo que não tinha a companhia da Estrela para fazer um bolo, há muito tempo que ela não o fazia. Hoje foi dia de renovar as memórias e de relembrar todas as que já construímos juntas (das quais ela não se lembra conscientemente, mas com certeza estarão gravadas no seu inconsciente).
A prova disso é a segunda imagem, na qual ela desenhou um coração.
Amor com amor se paga!
O bolo é de chocolate, mas o que derreteu foi o meu coração 💝💝💝
A receita, se quiserem, é muito simples:
1 chávena açúcar
2 chávenas de farinha
1 colher de fermento
6 ovos
1 chávena de líquido (óleo + água quente)
150 g de chocolate derretido (com manteiga e umas gotinhas de água)
A cobertura:
1 chávena de leite
1 colher de manteiga
Chocolate a gosto (misturei chocolate de barra com nesquik)
2 folhas de gelatina
3 colheres de açúcar
Espero que o vosso fim de semana tenha sido docinho, e que termine em paz 😘