terça-feira, junho 14

Porque nunca existi sendo "apenas eu".

Vocês não existem. É, hoje começamos assim. Obrigada por todo o vosso carinho, pelo tempo que dedicam a ler cada partilha minha, nossa. Obrigada!

Vocês fazem parte de um processo enorme de redescoberta sobre mim mesma, de superação, e vocês nem têm ideia do valor que isso significa para mim. Ontem, depois da minha partilha, fiquei sem reação. Foram tantas, mas tantas as pessoas que perderam tempo do seu tempo a ler o que escrevi. Isso enche o meu coração de carinho, de amor e de esperança. Hei-de continuar a lutar por evoluir nesta jornada da vida,…

 

Nunca partilhei a minha história desta forma, tão específica, tão delicada. Nunca fui capaz. De todas as vezes que tentei, senti os dedos tremer, os olhos brilhar e perdi a coragem de apertar no botão e partilhar.

O que tem a minha vida de interessante para partilhar? Porque perdem vocês tempo do vosso tempo a vir aqui? Não sei bem. Eu não sou ninguém. Nunca me achei especial ou superior. Não precisam de contar, se não quiserem, mas sintam-se recebidos com carinho e amor.

 

Mas, focando na partilha e mensagem de hoje;

Esta é uma das fotos que melhor me representa. Eu, segurando ao colo o primeiro presente que a vida me deu: o Gabi.

Já disse várias vezes que nasci quando o Gabi nasceu (Por isso, fazendo bem as contas, teremos mais ou menos a mesma idade. Sim, às vezes também faço birra, às vezes também não quero lavar os dentes ou dormir. Brincadeira.)

 

Falando a sério: Nasci para o mundo quando me tornei mãe. Porque foi na mesma altura em que larguei tudo e comecei do zero. Mas, ao invés de ter tempo para aprender sobre mim, longe de uma responsabilidade maior, a de cuidar de um filho, eu fi-lo através dele. Nunca gostei de dizer isto porque não podemos comparar vidas, nem experiências, nem situações, mas não tenho dúvida que o grau de exigência foi grande por ter sido assim.

Eu nunca me conheci sozinha, sendo “apenas eu”. Durante 21 anos “cumpri o papel de filha, de irmã (ou pelo menos, tentei)”. Depois disso, comecei uma nova jornada, assumindo o papel de mãe. Não existi de forma singular no entretanto. Nunca fui “apenas eu". Nunca fiz apenas o que queria, nunca segui os meus sonhos quando e como queria, nunca decidi nada sozinha, nunca geri a minha vida apenas por mim. Eram tantas as limitações.

Bem... Não será de todo verdade, apesar de não ser de todo mentira. Porque nunca deixei de tentar alimentar o que me fazia bem, apesar de condicionada de diversas formas (um dia falaremos sobre isto também).

Enquanto “apenas eu”, Luisa, fiz várias coisas, participei em imensas experiências diferentes. Algumas perdi, porque mudei de vida, de direção. Algumas recuperei depois. Sempre escrevi, sempre me desafiei, sempre fiz amigos, sempre sorri, sempre chorei, sempre procurei uma solução,… Apesar das limitações que vivia, sempre tentei ser “livre” e “ser eu”, encontrando um bocadinho de mim em cada projeto do qual fazia parte. Tive tanta sorte e o privilégio de ter feito e participado em tantas coisas diferentes. E é isto que eu encontro como sendo “meu”.

 

Com um filho nos braços, tive que aprender a lidar com os meus fantasmas e desafios. Com um filho nos braços tive que conhecer a minha nova versão, não tendo tido oportunidade de colocar em prática a versão antiga.

 

E depois do Gabi, veio a profissão, a casa para gerir, a vida adulta para segurar. Não foi fácil encontrar-me, não foi. Ainda hoje continuo a procurar-me. Mas hoje consigo assumir que não foi tão simples assim, apesar de encarar cada experiência como algo natural. O que me fez continuar? O amor, pelos meus e pela vida, a vontade de vencer desafios, colocados por mim mesma ou pela vida, e a vontade de me conhecer, de saber quem sou por completo. A vontade de compreender cada pedacinho da minha história. De perceber do que esta menina, tímida e ingénua é capaz. O que ela tinha dentro de si para dar ao mundo? Talvez um bocadinho de… (?)

 

Digam-me vocês, se souberem porque eu ainda não sei.

E contem-me, o que têm vocês para dar ao mundo?


 

Mensagem: Todos temos uma vida, repleta de coisas lindas e maravilhosas e/ou desafios. Por vezes, a paz que as pessoas transmitem não traduz metade dos desafios que enfrentam. Não julguem, não ignorem as dores e dificuldades de ninguém. Estejam abertos para conhecer o outro e abram horizontes para se conhecerem melhor, também. J




segunda-feira, junho 13

Toda a verdade sobre a minha Primeira Gravidez.


Há 13 anos atrás… Estaria a viver o fim da minha primeira gravidez. O fim de uma gravidez mágica, perfeita. O fim de uma gravidez que acrescentou vida, magia, um futuro e uma família à minha vida.

Nunca escrevi sobre isto antes. Sempre senti arriscado demais. Mas, sabem que mais? Passados 13 anos estou cansada de esconder-me, de colocar o medo e os receios em primeiro lugar. Se voltarmos atrás no tempo, recordaremos como tudo começou…

 

Era Outubro de 2008. A minha vida estava virada do avesso, estava completamente “de pernas para o ar”. Tinha mudado de curso no ano anterior, começado uma nova relação,… Estava numa fase nova e tinha tudo para encontrar o meu ponto de equilíbrio e para ser feliz. Menos a felicidade. Ah, e a liberdade para a sentir. Depois de uma longa jornada, de tentativas de formas diferentes, tinha chegado à conclusão de que onde eu vivia isso não era possível. Precisava de fazer esse luto. (Não vou entrar em pormenores. É delicado demais para partilhar. Prometo que, um dia, haverei de lá chegar. Mas talvez não por aqui.)

De forma romântica, “para procurar ser livre e feliz”, deixei a casa dos meus pais nesse ano e mês. No mesmo dia, percebi que perdera aquela família para sempre. Imaginava dificuldades para ultrapassar quando tomei a decisão de ir “passar uns dias fora de casa”. Precisávamos de distância uns dos outros para repensar na vida, na nossa relação. Sempre analisei muito todas as situações e a verdade é que também o medo me fez agir com precaução. E ainda bem. Por segurança, por prevenção.

Apesar de não entrar em pormenores, vocês podem imaginar o quão desafiador o terá sido. Estaria a viver o momento mais turbulento da minha vida e não imaginaria sequer viver uma gravidez ao mesmo tempo. Nunca a tinha planeado, nem sequer imaginado. A verdade é que a vida não obedece a planos, porque ela sabe mesmo o que faz.

Semanas depois de sair de casa descobri que estava grávida. Estava grávida! Eu! Uma menina, frágil, meio perdida, a tentar encontrar o rumo certo para a sua vida. Mas era real! Eu estava grávida do Gabi. Iria ser mãe! Era mãe! Não houve decisão a tomar porque não houve sequer questão a ponderar. Estava grávida do meu anjo! Sabia que era uma dádiva! Só podia ser. Sem família, sem nada que me pertencesse mais, decidi encarar o futuro com o apoio que me fora ofertado (o melhor apoio do mundo no momento mais crucial).

No meio do reboliço daquela fase, vivi a gravidez entre dois extremos: a felicidade de quem tem um bebé a gerar-se dentro de si e de quem vive uma quantidade infinita de problemas, que não pode controlar e com os quais precisa de lidar e enfrentar.

Fui acusada de tudo e mais alguma coisa. Fui insultada, perseguida. Senti-me ameaçada. Mas eu tinha que o proteger. Eu tinha que ser forte, de ter paz para dar o melhor de mim ao meu primeiro bebé. Nem acredito que eu, ainda menina, me tornei mãe. Se, por um lado, não tinha mais ninguém para chamar de família, por outro tinha TUDO o que precisava para começar a construir a minha própria família: o meu primeiro bebé.

Durante a gravidez não fiz mais do que acreditava ser necessário. Cuidei de mim tanto quanto pude, da alimentação, estudei muito, bebi toda a informação. Esta parte não foi difícil porque estava a estudar o módulo de pediatria no meu segundo ano de terapia ocupacional. Como foi importante aprender sobre tudo aquilo. Como foi importante viver esta experiência durante aquele momento.

Por outro lado, chorei muito. Chorei pelo luto, pelo medo, pelas dúvidas e pelo pesadelo que assombrava do outro lado. Chorei por tudo o que tinha perdido: lugares, pessoas, memórias da minha infância e do meu eu passado, que nunca mais recuperei.

Mas eu era mãe. Não era apenas uma menina acabada de sair de casa. Era uma nova mulher, chamada pela vida para amadurecer à força. Mas tinha que ser. Teve que ser para que eu encontrasse um novo propósito de vida.

 

Tentei mudar de vida e procurar uma liberdade que nunca tive, para viver a minha vida. Mas nada disso aconteceu. Tive que aprender que ser livre não é só sobre fazer o que queremos, quando queremos. É muito mais subtil. Ser livre é ter a possibilidade de escolha, mesmo que condicionada por aquilo que te faz feliz. E fez todo o sentido aprender aquela lição. Era isso que eu, sem saber, procurava. E a vida deu-me, mais depressa do que alguma vez imaginara, essa lição.

 

A minha primeira gravidez será sempre um marco gigante na minha história. Se todos bebés têm um propósito, não tenho dúvidas que o propósito do Gabi foi o de dar um propósito à minha vida.

Aproveitei a gravidez ao máximo. Fui muito feliz. E ainda sou, de cada vez que paro para a recordar.

 

Se há mães que passam por sustos durante a gravidez, os sustos que passei foram por ruídos externos, por tantas outras coisas, que por muito que me tivessem feito chorar, fortaleceram-me. Porque eu ganhei dois motivos para viver.

 

Obrigada, Vida, por esta oportunidade de viver!





segunda-feira, maio 30

(mais do que um) PAR DE MEIAS PERSONALIZADAS (Atividade do dia)

Uma nova semana. Um novo começo. Cá vamos nós!
Preparados desse lado?

Hoje venho partilhar convosco algo muito fofinho que acontece durante o fim de semana.
A Estrela quis fazer uma nova roupa para as bonecas, desta vez com um par de meias que ainda uso. Não tenho assim tantos pares de meias, por isso, disse-lhe que era o meu par de meias favorito, mas que se ela quisesse mesmo muito eu podia ceder para ela fazer a roupinha do bebé.
Entretanto, ela pediu para pintar as meias e lá foi pintando as minhas meias. Depois pintou as que trazia calçadas.
Quando percebi o que estava a fazer fiquei sem palavras para a grandiosidade da sua ação. E claro, completamente boquiaberta com a sua capacidade de criação.

A Estrela criou um par de meias para cada uma de nós, a dizer "BFF" que é como quem diz "Best Friend Forever" ou "Amigas para Sempre".

Há algo a dizer sobre isto?
Ainda hoje não consigo falar.

Mas, venho partilhar este acontecimento como uma sugestão de atividade:

MEIAS PERSONALIZADAS

Nós, adultos, por vezes, somos limitados a novas ideias. Estamos presos a bloqueios e regras que fomos aprendendo ao longo dos anos e temos dificuldade em ver para além disso. Depois destas meias, fiquei também a pensar no quão importante é desprender desses pensamentos e ser livre como as crianças.

Nunca tinha pensado em usar um par de meias (a uso) até aqui, mas porque não?
Já pensaram nas memórias que ficarão depois desta pintura?

Esta semana, convido-vos a fazerem o mesmo por aí. Escolham um par de meias para cada um(a), uns marcadores e divirtam-se a criarem algo que vos ligue para sempre (ou pelo menos até à lavagem na máquina da roupa).






sexta-feira, maio 27

Pequeno almoço especial

As atividades que realizamos menos frequentemente e que acariciam os nossos olhos são tão importantes como as que fazemos no dia-a-dia.
As brincadeiras que se tornam parte da rotina são ótimas para observar a evolução dos mais novos. A forma como imaginam e criam diferentes cenários, a forma como os organizam e posicionam, a forma como atribuem a algo um significado diferente.
Aqui, os dominós a substituirem o líquido de um chá, quentinho e saboroso que a Estrela serviu logo pela manhã.
A delicadeza de cada pormenor, a entrega a cada preparação é fascinante demais.
Hoje, a atividade do dia, é na verdade um convite à observação destes detalhes. Observem e contemplem a forma mágica como as vossas crianças brincam, imaginam e criam coisas novas todos os dias.

Um bom dia para vocês.