terça-feira, novembro 22

A qual dos filhos devemos pedir desculpa?

 

Às vezes, não sei se peço desculpa ao primeiro filho por todas as vezes que fomos ao médico ao primeiro sintoma de febre, ou ao segundo por esperar 2 ou 3 dias para ver no que a febre vai dar.

Às vezes, não sei se peço desculpa ao primeiro filho por o ter ensinado a dormir religiosamente à mesma hora todos os dias, ou ao segundo porque se falhamos 5 ou 10 minutos está tudo bem, afinal foi só um dia.

Às vezes, não sei se peço desculpa ao filho mais velho por ter comido sopa todos os dias ou ao filho mais novo porque às vezes não há sopa por dias.

Às vezes, não sei se peço desculpa ao filho mais velho por lhe ter ensinado a escovar os dentes todos os dias, ou ao filho mais novo que quando está cansado fica para a manhã seguinte.

Às vezes, não sei se peço desculpa ao filho mais velho por ter-lhe trocado a roupa pelo pijama sempre que chegava a casa já a dormir, ou ao segundo que fica em roupa interior quando adormece pelo caminho.

Às vezes, não sei se peço desculpa ao filho mais velho ou se a desculpa deve ser para o filho mais novo, porque se com o primeiro tentei que nada fosse imperfeito, com o segundo já não o espero perfeito.

Às vezes, não sei se peço desculpa a um filho ou a outro. E vocês, sabem qual dos vossos vos deve desculpar?




 

segunda-feira, novembro 21

Dia Nacional do Pijama: através das crianças podemos ensinar os pais.

 Através das crianças podemos ensinar os pais.

Apesar do dia oficial ter sido ontem, 20 de Novembro, hoje, um bocadinho por todo o país de Portugal foi comemorado o Dia Nacional do Pijama.

O objetivo deste dia já não é novidade. E, ano após ano, são vários os estabelecimentos de ensino que trabalham para o assinalar da melhor forma.

Por aqui, a Estrela nunca celebrará este dia (pelo menos da forma habitual), mas o Gabi teve a oportunidade de o conhecer e de colaborar.

Recordo-me das conversas que tivemos em torno do objetivo deste dia. O porquê de ir de pijama para a escola...

É difícil contar a uma criança tão pequena que ainda existem muitas crianças sem lar, sem família, sem teto, sem acolhimento. É difícil explicar a uma criança o porquê de tanta disparidade. É difícil para uma criança entender que existem crianças que vivem em realidades, por vezes, tão diferentes da sua.

Talvez porque pareça natural que todas as crianças devam ter o básico. Talvez porque não pareça real, talvez porque pareça uma realidade distante.

Mas, infelizmente, não é. Infelizmente existem mais casos do que talvez os conheçamos. Talvez existam mais crianças a necessitar de ajuda do que as que se encontram sinalizadas. Talvez existam crianças que nunca chegarão a saber o que é ter um lar, uma família...

Não sei de que forma poderemos ajudar a sociedade a acolher e a apoiar mais crianças. Mas sei que será um projeto ao qual, um dia, me dedicarei.

As crianças merecem. E os futuros adultos que elas serão, também.

Que possamos relembrar mais vezes durante o ano este assunto tão delicado.




quarta-feira, novembro 2

O teu filho vai crescer...

O teu filho vai crescer. Não apresses o tempo, porque ele passa a correr.

O teu filho vai crescer. Não tenhas pressa para que se torne “independente”, porque há muitas coisas que ele precisará, pelo caminho, de aprender.

O teu filho vai crescer. Não tenhas pressa para recuperar o teu tempo e espaço, porque em breve tudo isso irá sobrar.

Não tenhas pressa. Não corras. Não ligues se o filho da vizinha faz mais coisas que o teu. Não fiques triste quando a tua prima prioriza a sua “vida”, te acusa de não o fazeres também, mas deixa o filho com alguém, como se o filho nem fosse seu.

O teu filho vai crescer e tudo o fazes hoje, mais tarde, ele recordará.

Ele irá lembrar-se das vezes que estiveste lá, do carinho que lhe deste, dos momentos que partilharam, de todas as coisas que lhe ensinaste. Ele vai lembrar-se que a sua mamã sempre foi a melhor para ele. Não tenhas pressa. O tempo voa e tu não poderás voltar atrás.

Aproveita o agora, sem pressas, sem todas essas culpas. O tempo voa. As memórias ficam. 




quinta-feira, outubro 27

Dia Mundial da Terapia Ocupacional

 

E quando todos julgam que não há mais solução, lá vem o Terapeuta Ocupacional e tenta dar um jeito. Começa por trabalhar a fé, a esperança, a motivação; afinal ainda há tanta coisa por experimentar. Somos crentes por natureza, teimosos por defeito e persistentes como ninguém. Se a pessoa à nossa frente não está feliz, nós reinventaremos o mundo se for necessário, para que volte a sorrir novamente.

Depois de aceitarem o desafio, partimos à descoberta: o que quer fazer? Como faz? Como fez? O que usa? De que forma? Quem está por perto? Quem o ajuda? Se estiver sozinho também não terá mal, porque agora está nas mãos do Terapeuta Ocupacional!

Fazemos aquilo que melhor sabemos, o que ninguém mais sabe fazer: analisamos a atividade e é a partir daí que todo o trabalho se irá desenvolver. Olhamos atentamente, como quem sabe o que faz, mas com a curiosidade de quem o vê pela primeira vez. Colocamos a nossa cabeça a girar para que possamos compreender o que está a impactar aquele desempenho, envolvimento ou funcionalidade afinal. Damos voltas e mais voltas, criamos as nossas próprias hipóteses, percorremos catálogos, estudos, conversamos com colegas, e saltamos até todas as lojas. Afinal, se todos somos diferentes, não podemos olhar para duas pessoas de forma igual.

Suspiramos de felicidade, assim que “encontramos” a peça que faltava. Agora sim, sabemos o que limita o nosso cliente. Só precisamos de adaptar isto ou aquilo, criar o que fica ali ao lado, e trabalhar algumas competências para que tudo junto possa ser bem assimilado.

E quando, por algum motivo, esta solução tiver que ser diferente? Aí, começamos de novo, e tentamos tudo novamente. Por vezes, partimos à descoberta de novos interesses. E a análise da atividade, com jogos pelo meio, torna-se mais aliciante. E no meio desse processo, é o cliente que nos diz: sem si nunca teria conseguido fazer isto de novo, ou sentir-me tão realizado a desenvolver algo que nunca fiz.

Este poderia ser um resumo bem resumido de uma intervenção da Terapia Ocupacional. Mas, novamente, como cada pessoa é um ser único, há muitas partes que não foram aqui descritas.

Quando tiver dúvidas sobre o nosso papel, lembre-se: promovemos a autonomia, independência e a funcionalidade, contribuindo assim para a sua qualidade de vida (que é como quem diz de forma simples, para a sua felicidade).