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segunda-feira, dezembro 1

Welcome, December...

Bem vindo, Dezembro...

Dezembro chegou. E com ele a vontade de acelerar os preparativos antes das festividades que nos pedem para abrandar o ritmo.

Os dias, agora mais curtos, são cobertos pelas luzes cintilantes das decorações de Natal.

O frio é agasalhado, agora, pelos abraços e pelo carinho de quem está perto e longe.

A vontade de sair à rua é agora trocada pela vontade de ficar em casa, de aproveitar o aconchego dos lares.

Dezembro traz a necessidade de rever os meses passados, de fazer balanços, de ponderar o que se quer manter ou largar, de rever prioridades, e de nos começarmos a preparar para um novo ano.

Que este Dezembro seja especial para cada um de nós.

E que traga, para aqueles a quem Dezembro traz com ele a lembrança de quem partiu, o que se perdeu, ou os desafios que se enfrentam, a vontade e coragem de continuar em frente, e a esperança de que, em breve, tudo irá melhorar.

Que Dezembro nos permita emergir nas reflexões mais carinhosas e que nos relembre que com paz e amor nos nossos corações, este mês pode, apesar de frio ser especial, e apesar do último ser o primeiro.

Um Feliz mês de Dezembro para todos!




PS: Dar as boas vindas a Dezembro neste cantinho tem um sabor muito especial.

sexta-feira, janeiro 29

Confinamento em tempos de mudança de país...

No último confinamento vivemos momentos de muita incerteza.

Recém chegados ao Reino Unido "fomos ficando" alojados em sítios diferentes. O lock down bloqueou o acesso a inúmeros serviços e ficamos impedidos de alugar casa.

Viemos para cá com pouco. Na bagageira havia pouco mais do que uma mala de brinquedos e roupa de inverno.

A cada mudança de casa o medo instalava-se. Não sabíamos quem lá tinha dormido, não sabíamos se teríamos para onde ir a seguir. A cada mudança, era necessária uma limpeza completa com lixívia para nos sentirmos mais confortáveis e sem medo de colocar a mão. Andamos a viver dia a dia sem saber o que seria de nós na semana a seguir.

No supermercado, alguns produtos estavam esgotados e nós não tínhamos forma de fazer stock. Não haveria forma de guardar no frio nem espaço para acumular.

Por isso, este ano, apesar de não saber o dia de amanhã e de se preverem mais mudanças, eu estou feliz. Temos um sítio para ficar, um frigorífico para encher e uma cama onde dormir.

E para já isso é mais do que suficiente.



sexta-feira, novembro 20

Despedidas dos nossos locais preferidos

Antes de sairmos de Portugal e, mesmo com toda a azáfama, procurei revisitar todos os nossos locais habituais.

Um dos locais dos quais nos despedimos foi a Biblioteca.

A nossa era a Biblioteca Almeida Garrett, no Porto. Era nossa tradição participar nas horas do conto (as possíveis), explorar livros e filmes novos para levar para casa.

Era um dos locais que frequentávamos com toda a regularidade possível, dependendo da fase em que nos encontrávamos.

Na última ida à biblioteca, devolvemos todos os livros que tínhamos connosco, passeamos e recordamos o que costumávamos fazer por lá sem pressas, apenas para apreciar aquele local.

Com os outros sítios, para nós muito especiais, como os nossos parques infantis mais habituais tentei fotografar e filmar o que foi possível, sempre com o intuito de nos despedirmos deles.

Não saberíamos se regressaríamos ou não, mas eu queria que o Gabi e a Estrela não perdessem a oportunidade de se despedirem dos seus locais preferidos.

Tudo pode estar diferente quando regressarmos. Na bagagem, ficarão as memórias e as fotografias que permitirão recordar cada local e comparar se existem diferenças.





Considero muito importante despedirmo-nos dos locais. Porque fazem parte da nossa história, da nossa rotina, das nossas tradições por um período de tempo. E a cada mudança, deixarão de pertencer-nos da mesma forma. O sentimento que se guarda de cada lugar é único e muito especial. 

Já deixei tudo para trás uma vez e sei o quanto nos tranquiliza esta oportunidade de fixar memórias, de gravar pequenos detalhes dentro do nosso coração.

Espero que o Gabi e a Estrela se recordem de cada lugar da forma mais especial possível, porque neles viveram momentos muito bonitos e marcantes para a sua história de vida.


E vocês, já alguma vez despediram-se de algum local? Acham que os locais por onde passaram foram importantes para a vossa história?


sexta-feira, novembro 6

Mudar de país? Só com uma condição!

A mudança de país foi pensada durante muito tempo. Antes da mudança, tínhamos alguns objetivos para cumprir, a Estrela precisava crescer um pouco mais, o Gabi aprender inglês e nós precisávamos de preparar uma série de burocracias.

Mas, o tempo foi passando e grande parte das coisas ficaram por resolver. E tantas outras fomos adiando, alterando, adaptando e reajustando porque quanto mais a realidade se tornava concreta mais percebíamos onde os planos tinham que ser ajustados.

A primeira condição que consideramos importante para a mudança estava relacionada com o timming para cada um de nós a fazer. Pensamos e repensamos várias formas de vir para cá.  Pensamos nas hipóteses de vir um e depois o outro, de vir um de nós com os meninos e todas as formas que consideramos possíveis.

Mas, no meio de todas as hipóteses só uma nos movia de verdade: a de nos mantermos unidos, nunca nos afastando uns dos outros.

Desde sempre vivemos muito uns para os outros, passamos por todos os desafios que fomos encontrando em conjunto; não seria na mudança de país que nos haveríamos de separar.

Se é para viver uma aventura, que seja todos juntos, de uma só vez. Para algumas pessoas, era a decisão mais arriscada de todas. A mais dispendiosa e que poderia resultar pior.

Mas na realidade, de todas os planeamentos "furados" pelo covid, este foi o único que resultou na perfeição. A oportunidade de nunca nos termos dividido permitiu-nos viver toda a mudança sempre em família.

Nem sei como seria ficar longe uns dos outros por causa de um vírus que nem se sabe quando irá terminar. Nem sei como seria se tívessemos que esperar divididos pelo dia em que nos podessemos voltar a abraçar. Nem sei, mas nem quero pensar.

Nada acontece por acaso, e se assim é, esta foi talvez a melhor razão.





terça-feira, outubro 20

As primeiras semanas na escola nova

O Gabi foi o primeiro dos 4 a contactar com a realidade. De máscara posta e álcool gel na mochila, lá vai ele, todos os dias para uma nova escola.

Quando decidimos sair de Portugal, prevíamos várias dificuldades. Obviamente nunca previmos uma pandemia, nem lá perto. Mas, de alguma forma, a pandemia acaba por tornar-se uma preocupação secundária quando o assunto é a adaptação à escola.

No último post sobre este assunto, partilhei a primeira semana como uma boa semana. Claro que se esperavam mudanças ao longo deste processo de adaptação e continuamos com a certeza de que esta não termina nos primeiros dias de escola.

As semanas seguintes continuaram a ser positivas para o Gabi. Ele fez um amigo, chegava a casa contente porque tinha alguém com quem conversar e aprender algo mais. Mas, o facto de ter iniciado a escola no início do ano letivo deu-lhe uma desvantagem. Se a mudança tivesse ocorrido a meio do ano, ele seria o aluno novo. A possibilidade de ter uma atenção extra seria maior, pelo menos por parte dos professores. Mas, com a pandemia, a entrada na escola de cá foi adiada e entrou no início do ano letivo, como todos os colegas, numa escola que é nova para todos. Alguns já se conheciam, mas muitos não. Portanto, o Gabi passou a ser apenas mais um. Ninguém sabia se ele era ou não português, ninguém lhe dava qualquer atenção extra por isso. Mas aquele amigo foi ajudando a apaziguar as dificuldades que iria começar a encontrar.

Houve um dia que foi o ponto de viragem para que as dificuldades começassem a ser percecionadas pelo Gabi. Com toda a mudança de rotina a saúde do Gabi deu sinal e, para salvaguardar, ficou apenas um dia em casa, e logo logo regressou. Mas esse dia foi decisivo para passar à fase seguinte. O “primeiro amigo” encontrou um novo parceiro e o Gabi andou os dias seguintes mais perdido.

Por cá, tentamos naturalizar sempre as situações. Nada acontece por acaso e não é pelo facto do Gabi não ser fluente ainda que as coisas iriam piorar. Já sabíamos, à partida, que iriam surgir dificuldades. E é com base nisso que o tentamos trabalhar. O Gabi é um menino muito especial, com um potencial incrível para procurar a mudança que precisa. Na semana seguinte tudo melhorou. Foi chamado à parte, para umas conversas individuais. E aí ele sentiu que teria um apoio mais individualizado. Afinal já não era apenas mais um. Já lhe começavam a dar um bocadinho mais de atenção por ser estrangeiro e não dominar por completo a língua. A confiança voltou. A motivação voltou. E o Gabi voltou a estar disponível para tudo. Fez novos amigos, as aulas têm corrido bem, tem aprendido coisas novas e eu acredito que ele está feliz. Pelo menos, para já, é o que tem transmitido.

Mas, vamos acompanhando esta aventura. Adorava vê-lo durante um dia de escola e perceber como é a realidade que está a viver. Mas, na impossibilidade de me transformar em mosca e acompanhá-lo durante o dia, fico apenas a assistir, dando-lhe toda a força que ele precisa para continuar a acreditar que daqui a um anito já nem se lembra das dificuldades que encontrou pelo caminho.

Irei escrever um post com as estratégias que utilizamos para preparar esta mudança. Até lá, só vos posso dar um conselho: levem as coisas com calma, não dramatizem mas também não romantizem, independentemente da situação ou mudança a que os vossos filhos se sujeitem. E, acima de tudo, acreditem na capacidade deles e na capacidade que lhes estais a ensinar.

Daqui a uns tempos tudo poderá estar a correr muito mal. Mas cá estaremos para agir em conformidade, mantendo o nosso lugar de pais.



Obrigada a quem se preocupa connosco e a quem pergunta como está tudo a correr.

segunda-feira, outubro 12

E, finalmente, o blog mudou.


Ao longo dos tempos, tenho referido várias vezes que estamos em mudança por aqui. Elas vão acontecendo. E hoje chegou o dia de vos apresentar a nossa nova imagem. As mudanças surgem aos poucos, tal como acontece nas mudanças maiores e, aos poucos, com todo o respeito que tenho por mim e pelo tempo que dedico aos meus.

Olho para este cantinho e tenho um carinho enorme por todo o caminho que tem sido escrito. O blog surgiu numa fase de reviravolta completa na minha vida. Tornei-me mãe e a mudança ainda se revelou maior.

 

Sempre fui aquela menina sossegadinha, “na sua”, mas sempre fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance para me manter ativa. Estar parada não é propriamente o que mais gosto de fazer, por isso, se houver um desafio eu estarei lá. Adoro pessoas. Adoro estar em contacto com elas, aprender, crescer e ajudar as que mais precisam. E adoro escrever. Ah, como adoro escrever.

Aliei estes dois traços da minha personalidade e resolvi criar, também eu, um cantinho onde pudesse extravasar. Estaríamos em 2010 (?) não me recordo. Passaram 10 anos e este cantinho continua a ter o mesmo objetivo: ser o meu “refúgio”. Aqui sou apenas eu e os dedos, que registam tudo o que o pensamento mandar.

 

Apesar das voltas que a vida deu, tornei-me terapeuta. Não haveria outra formação que me completasse tanto e tão bem. Por mim já passaram centenas de vidas, que confiaram o que de mais importante existe: a sua vida. Sei que ainda terei um caminho para percorrer, uma nova realidade para conhecer, mas é isso que quero fazer.

 

O blog é e continuará a ser este cantinho instável, inconstante, em permanente mudança. Porque assim é a vida. Nunca serei blogger a tempo inteiro. Não que não seja apetecível, mas porque tenho tanto para fazer fora daqui. Quanto à escrita, essa fará sempre parte de mim. Parar, pesquisar, escrever, partilhar. É aquela sequência que mais sentido me faz. E é também por isso que algumas partilhas irão mudar.

 

Alterei a imagem do blog com um único intuito: torna-lo mais a minha cara. E o que mais prezo nesta fase da vida é a paz, a tranquilidade e a simplicidade da vida.

Não sou apenas a mamã Lu, mãe de dois, mas sou também a terapeuta Lu, de tantos outros.

Espero que vocês continuem por aí, e agradeço a cada um de vocês por todo o carinho e presença constante.

 

Já o “disse” inúmeras vezes, mas volto a reforçar: este cantinho existiria sempre, mas vocês desse lado tornam cada partilha, cada momento ainda mais especial. Obrigada!




terça-feira, setembro 1

ELES são realmente especiais! [Diário da mudança]

Se nos contassem tudo o que 2020 teria reservado para nós, talvez tivéssemos dado um passo atrás.

Mas, a vida é assim mesmo e, por muito que se façam planos eles nunca serão garantidos de verdade.

Também a nós, o COVID-19 trocou as voltas, como a toda a gente. Acabamos por ter que dar mais voltas do que esperamos necessitar.


Mas hoje é sobre eles que vos quero falar:

Longe das suas coisas, apenas com uma mala de brinquedos (e muito pouco mais que fomos comprando por aí): foi assim que eles passaram todo o período de quarentena.

Estar longe da sua casa, do seu espaço não seria suficientemente marcante. Foi necessário estar longe de tudo o que lhes pertencia para que todos estes meses fossem realmente marcantes.

De uma coisa tenho a certeza: se há pessoas que merecem a maior admiração, eles são umas dessas pessoas. Aguentaram-se muito melhor do que poderíamos esperar. Não lamentaram nem reclamaram como poderíamos imaginar. Apenas desfrutaram, do pouco que tinham e da sua capacidade para imaginar.

Brincaram como nunca um com o outro, brincaram e exploraram como nunca o faz de conta, brincaram às casinhas, à caça aos ovos, às partidas. Multiplicaram brincadeiras sem conta com os poucos brinquedos que tinham à sua disposição.

Claro que houve dias em que a saudade apertou, a vontade de ter isto ou aquilo apareceu, mas poucos foram os momentos em que se sentiram menos felizes por isso. Poucos foram os momentos em que se sentiram menos completos ou menos crianças.

Somos felizes com tão pouco. As crianças precisam realmente de pouco para serem felizes. E, se eu ainda tinha algum tipo de dúvida, foram completamente esclarecidas.

As crianças serão sempre as melhores protagonistas das suas histórias de encantar. E não precisam de nada mais do que a sua capacidade genuína para sonhar, criar e brincar!

Obrigada meus filhos, por serem seres tão mas tão especiais!

Agora, é hora de preparar novos voos. Vamos voar?



 

quarta-feira, agosto 26

Até um dia, Portugal.

Raramente vou direta ao assunto. Gosto sempre de contextualizar e justificar cada palavra. Mas desta vez irei poupar nas palavras:

Às vezes precisamos de arriscar.

Já tantos o fizeram antes de nós e muitos hão-de continuar a fazê-lo.

Este ano, chegou a nossa vez.

Portugal tornou-se pequenino demais para os nossos sonhos e fomos à procura de um local melhor para viver.

Fomos à descoberta. E cá estamos, a descobrir o que é possível perante um cenário de pandemia.


P.S: Tenho falado várias vezes sobre mudanças. Esta é a maior de todas. Sou do tipo de pessoa que não gosta de suspense (detesto na realidade), mas aprendi a viver, a calar e só depois a falar. E está na hora de incluir isto na lista de assuntos a partilhar ;)